A capacidade da internet de empoderar o indivíduo

Enviada em 01/10/2025

O sociólogo Marshall McLuhan previu a “Aldeia Global”, uma conexão que a internet concretiza na atualidade, atribuindo ao indivíduo um poder sem precedentes. Embora essa ferramenta possa ser democratizadora e libertadora, como a ampliação do saber ou o ativismo social, o potencial integral dela é restringido por dificuldades como a exclusão digital e a manipulação das informações.

Em um primeiro rosto, o espaço cibernético opera como motor de empoderamento, ampliando a esfera pública e democratizando a voz. O filósofo Jürgen Habermas sustentava que o debate racional é a base da cidadania; a rede proporciona essa nova esfera, em que o cidadão comum vira produtor de notícias e agente fiscalizador. O acesso irrestrito a cursos virtuais, por exemplo, oferece liberdade da autodetecção, fortalecendo a liberdade individual e desmantelando o monopólio das instituições formais.

Todavia, o uso estratégico da tecnologia não se livra da desinformação e da falta de acesso universal, O conceito de “Bolhas de Filtro” (Filter Bubbles), de Eli Pariser, mostra que algoritmos isolam o usuário em câmaras de eco, fazendo-o suscetível à polarização e derrotando o empoderamento crítico. Além disso, a exclusão digital impede milhões de brasileiros de terem acesso aos benefícios da conectividade, que se transforma em mais um fator de segregação social.

Dessa forma, a consagração da internet como ferramenta de emancipação requer intervenção. O Ministério das Comunicações deve promover a universalização da banda larga, mediante parcerias público-privadas, a fim de que o empoderamento digital seja direito de todos. Da mesma forma, o Ministério da Educação (MEC) deve incluir no currículo a disciplina “Mídia e Cidadania Digital”, com aulas cujo conteúdo ensine os alunos a reconhecer fake news e a entender sobre algoritmos. Essa medida é para formar cidadãos que utilizem a internet como forma de autonomia e não mais como mecanismo de subordinação.