A capacidade da internet de empoderar o indivíduo

Enviada em 04/10/2025

A era digital, impulsionada pela internet, reconfigurou as relações de poder na sociedade. A rede mundial de computadores emergiu como uma potente ferramenta de empoderamento individual, permitindo que vozes antes silenciadas pautem o debate público. Contudo, esse cenário promissor é desafiado pela persistência da exclusão digital e pelos riscos da manipulação algorítmica, que limitam o alcance desse novo poder.

​De um lado, a internet democratizou o acesso à informação e a produção de conteúdo. Conforme o sociólogo Manuel Castells, vivemos em uma “sociedade em rede”, na qual as hierarquias tradicionais de comunicação são flexibilizadas. Nesse ambiente, cidadãos comuns podem organizar movimentos e cobrar o poder público de forma direta, como visto em mobilizações globais que se iniciaram por meio de hashtags. O indivíduo, antes mero receptor, torna-se protagonista na arena pública.

​Por outro lado, o empoderamento digital não é universal. A desigualdade no acesso à tecnologia cria uma barreira de exclusão, marginalizando parte da população dos benefícios da cidadania digital. Ademais, para os que estão conectados, os algoritmos das plataformas podem criar “bolhas” informacionais, um conceito que dialoga com as críticas do filósofo Zygmunt Bauman à superficialidade das relações em rede. Ao filtrar o que o usuário vê, essas ferramentas podem limitar o pensamento crítico e intensificar a polarização, transformando o potencial de diálogo em isolamento.

​Portanto, a capacidade da internet de empoderar o indivíduo é real, mas requer ação para ser plenamente efetivada. Para isso, o Ministério da Educação (MEC) deve inserir a disciplina de Educação Midiática no currículo da educação básica. Essa ação se daria por meio da capacitação de professores e do desenvolvimento de materiais didáticos que ensinem os alunos a identificar notícias falsas e a compreender o funcionamento dos algoritmos. A finalidade é formar cidadãos críticos e autônomos, capazes de utilizar a rede de forma segura e consciente, garantindo que a tecnologia sirva, de fato, ao empoderamento e à democracia.