A capacidade da internet de empoderar o indivíduo
Enviada em 02/10/2025
O avanço da internet no cenário mundial revela sua força como meio de comunicação e acesso à informação. No entanto, no Brasil, milhões de pessoas ainda enfrentam barreiras relacionadas ao uso consciente e equitativo da rede, seja pela exclusão digital, seja pela falta de preparo para lidar com o excesso de informações. A exclusão digital das populações de baixa renda, que não conseguem acessar dispositivos e conexões de qualidade, é a primeira questão. A segunda é a ausência de políticas públicas eficazes que promovam a inclusão digital e o uso responsável das tecnologias. Assim, a democratização da internet mostra-se um desafio urgente para a efetivação da cidadania.
Em primeiro plano, segundo o art. 5º da Constituição Federal, é garantido a todos o direito à liberdade de expressão e de acesso à informação. Entretanto, a realidade contradiz essa previsão, já que grande parte da população permanece sem acesso pleno aos recursos digitais. A alta desigualdade tecnológica e a concentração do acesso em grandes centros urbanos agravam a situação, ampliando as disparidades sociais. Logo, observa-se a necessidade de ações públicas que transformem esse direito previsto em realidade concreta.
Em segundo plano, o sociólogo Manuel Castells, expoente nos estudos sobre sociedade em rede, defende que a internet deve ser compreendida como um instrumento de emancipação social e fortalecimento da autonomia individual. Sua visão contrasta com a atual lógica de exclusão digital, que restringe o acesso ao conhecimento e à participação cidadã a quem possui recursos financeiros. Essa limitação não apenas reduz as oportunidades de milhões de brasileiros, mas também enfraquece o potencial de desenvolvimento humano e social do país.
Portanto, cabe ao Ministério das Comunicações, em conjunto com o Ministério da Educação, ampliar programas de inclusão digital, garantindo infraestrutura tecnológica e capacitação para toda a população. O objetivo é assegurar que os indivíduos tenham acesso à informação de qualidade e possam exercer plenamente sua cidadania. Assim, será possível transformar a internet em um meio de empoderamento, reduzir desigualdade e consolidar o direito humano ao conhecido e à participação social.