A capacidade da internet de empoderar o indivíduo

Enviada em 30/09/2025

Zygmunt Bauman afirma que a modernidade líquida é marcada pela instabilidade das relações sociais, o que reflete no universo digital. Nesse sentido, a internet, embora traga um empoderamento e possibilite ao indivíduo maior autonomia e acesso a informações, também o expõe a vulnerabilidades constantes. Dessa forma, torna-se urgente discutir tanto a democratização do conhecimento e a ampliação da cidadania digital, quanto os riscos que fragilizam esse processo.

A partir dessa breve contextualização, fica evidente que a internet se tornou essencial para a democratização da informação. Conforme aponta Manuel Castells, vivemos em uma “sociedade em rede”, na qual o indivíduo pode se expressar e se organizar coletivamente. Exemplo disso foi a Primavera Árabe, em 2011, quando redes sociais mobilizaram cidadãos contra governos autoritários. Efetivamente, a web amplia a cidadania e fortalece direitos democráticos. Logo, é inegável que a web possui caráter emancipatório e benéfico para os indivíduos.

Entretanto, esse empoderamento digital é enfraquecido pela disseminação de fake news. Segundo a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), a desinformação ameaça a democracia ao comprometer escolhas conscientes. Nas eleições brasileiras de 2018, por exemplo, notícias falsas nas redes sociais manipularam parte da população. Com efeito, percebe-se que a internet, quando mal utilizada, fragiliza a cidadania. Assim, é alarmante que a falta de regulação digital continue a comprometer esse espaço de participação.

Portanto, a internet, embora benéfica ao ampliar a cidadania digital, ainda apresenta fragilidades que comprometem seu real empoderamento. Para resolver a primeira questão, o Ministério Público Federal deve criar campanhas de educação midiática, por meio de parcerias com escolas públicas e plataformas digitais, a fim de capacitar a população no uso crítico das informações online. Além disso, o Congresso Nacional precisa elaborar leis de regulação ética das redes sociais, mediante fiscalização das práticas algorítmicas e punição de conteúdos falsos, com o objetivo de reduzir a manipulação e proteger a democracia. Assim, será possível fortalecer a autonomia do indivíduo e garantir uma sociedade mais justa e consciente.