A capacidade da internet de empoderar o indivíduo
Enviada em 03/10/2025
O fenômeno conhecido como “Globalização” se refere a um processo de cone-xão cada vez maior ao redor do mundo todo. Nele, informações, mercadorias e pessoas chegam mais rápido ao destino, culturas ultrapassam barreiras físicas ou sociais e até mesmo os ideais preconceituosos ou discriminatórios não são sufici-entes para impedir esse processo de avançar. Um dos fatores que vêm acelerando cada vez mais esse avanço é a internet, que tem uma capacidade de conectar, em-poderar e influenciar indivíduos de modo estrondoso. Acerca dessa temática, des-taca-se o fortalecimento da cidadania digital e, em contrapartida, a propagação de desinformação.
Em primeiro plano, nota-se que a internet fortalece a cidadania ao ampliar o acesso à informação e dar voz a grupos antes marginalizados. Segundo Manuel Castells, sociólogo espanhol, “a internet é o espaço da autonomia”, já que permite que qualquer indivíduo se expresse sem depender de estruturas de poder tradicio-nais. Isso significa que movimentos sociais, como a Primavera Árabe em 2011, con-seguiram mobilizar milhares de pessoas e pressionar regimes autoritários graças ao espaço virtual. Logo, o poder digital promove maior participação política e enga-jamento social, tornando a cidadania mais inclusiva.
Em contraste, há a desinformação proveniente da internet. A Organização Mun-dial da Saúde apontou que, durante a pandemia de Covid-19, o mundo enfrentou uma “infodemia”, ou seja, a circulação em massa de notícias falsas. Esse fenômeno evidencia que, ao mesmo tempo em que a internet fortalece vozes, também pode distorcer a realidade, gerando desconfiança até em informações científicas com-provadas. Desse modo, a ausência de pensamento crítico facilita a propagação de discursos de ódio e fragiliza a coesão social, revelando o lado negativo do empode-ramento digital.
Por conseguinte, cabe ao Ministério da Educação implementar um programa nacional de alfabetização midiática, por meio da inclusão de oficinas de checagem de dados em parceria com agências de verificação de fatos, como a Lupa - pioneira no Brasil na checagem de notícias falsas -, com o propósito de formar cidadãos crí-ticos diante das informações digitais.