A capacidade da internet de empoderar o indivíduo
Enviada em 02/10/2025
A invenção da imprensa por Johannes Gutenberg, no século XV, possibilitou a ampliação do acesso à informação e transformou a sociedade. Na contemporaneidade, potencializa a capacidade de empoderar o indivíduo, ao ampliar vozes e democratizar espaços de participação. Contudo, esse processo enfrenta entraves, já que a negligência governamental e a ineficácia da mídia favorecem problemas como exclusão digital, manipulação ideológica e desinformação.
Ademais, a ausência de políticas públicas adequadas compromete a universalização do empoderamento digital. O filósofo John Locke afirmou que “os cidadãos cedem sua confiança ao Estado, e este deve garantir os direitos básicos a eles”, evidenciando a responsabilidade estatal em fornecer meios de formação crítica. Entretanto, a negligência governamental na inclusão digital e na educação midiática faz com que parte da população se beneficie da internet como ferramenta de transformação, enquanto outra sequer possui a formação necessária para utilizá-la de modo proveitoso. Assim, desigualdades se aprofundam e a autonomia digital torna-se frágil.
Outrossim, a ineficácia da mídia perpetua o problema. A filósofa brasileira Djamila Ribeiro defende que “os imbróglios precisam ser tirados da invisibilidade para que possam ser encontrados e resolvidos”. Contudo, muitos veículos priorizam conteúdos superficiais e pouco educativos sobre o uso crítico da internet. Então, a mídia falha em mostrar tanto os benefícios reais do empoderamento digital quanto os riscos de manipulação e desinformação. Dessa forma, a sociedade convive com indivíduos fortalecidos pela rede e com aqueles que, deslumbrados pelo “poder” virtual, permanecem alienados e vulneráveis.
Portanto, é necessário que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, desenvolva programas de educação midiática, por meio de projetos escolares e comunitários voltados ao uso crítico da internet — sobretudo em áreas marginalizadas. Desse modo, será possível democratizar o acesso à rede, reduzir a vulnerabilidade à manipulação e transformar o empoderamento digital em um instrumento de emancipação real.