A capacidade da internet de empoderar o indivíduo
Enviada em 03/10/2025
Na série Black Mirror, são retratados os impactos das tecnologias digitais sobre a vida social e individual, revelando tanto potenciais avanços quanto riscos de manipulação. Analogamente à obra citada, observa-se, no Brasil contemporâneo, a dificuldade de garantir que a internet seja de fato uma ferramenta de empoderamento individual. Nesse sentido, cabe analisar a negligência estatal e a propagação da desinformação como entraves para que esse potencial se realize.
Em primeiro plano, evidencia-se a carência de políticas públicas voltadas a essa população. Segundo Émile Durkheim, em sua obra sobre o fato social, o indivíduo tende a replicar as ações comumente vistas em seu meio. Dessa forma, nota-se que o comportamento do brasileiro corrobora com o pensamento do sociólogo, visto que, com a escassez de exemplos por parte do governo, o povo tende a utilizar a internet de maneira limitada, seja pela falta de acesso gratuito e de qualidade, seja pela ausência de incentivo à educação digital.
Ademais, destaca-se a propagação da desinformação, que compromete a autonomia do indivíduo no ambiente virtual. Sob essa ótica, a Constituição Federal de 1988 garante, no artigo 5º, o direito à informação. Entretanto, verifica-se que a realidade diverge da teoria, pois a presença massiva de notícias falsas e a manipulação de dados fragilizam esse direito, prejudicando a capacidade do sujeito de tomar decisões conscientes.
Torna-se, portanto, imprescindível a intervenção nesse cenário conflituoso. Nesse sentido, o Estado deve, por meio da implementação de políticas de inclusão digital, como a ampliação do acesso gratuito à internet e a oferta de cursos de letramento midiático em escolas públicas, combater a exclusão digital e fortalecer o senso crítico dos cidadãos. Essa ação tem como finalidade assegurar que todos utilizem a rede de forma autônoma e responsável. Somente assim será possível garantir que a internet cumpra o papel positivo de transformação individual e social, e não se torne, como em Black Mirror, um espaço de controle e desigualdade.