A capacidade da internet de empoderar o indivíduo

Enviada em 05/04/2020

O poder emana da internet

No episódio “Nosedive”, da série britânica “Black Mirror”, é retratado um futuro no qual as pessoas são avaliadas na internet de acordo com sua popularidade na vida real. Nesse sentido, a narrativa foca na busca constante de Lacie para aumentar sua nota e, então, poder usufruir de alguns privilégios, visto que a classificação do indivíduo se torna uma condição para este desfrutar de certos espaços e serviços. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada no seriado pode ser relacionada ao mundo tecnológico do século XXI: gradativamente, a interweb vem transformando-se em um agente empoderador a partir da sua atuação na democratização do conhecimento e do ativismo.

Em primeiro plano, é mister entender como a internet corrobora para a universalização do saber, fator fundamental para se atingir o empoderamento. Nesse contexto, tem-se a fala de Kant, que afirma o conhecimento como a garantia da saída de um ser da menoridade, ou seja, é a ferramenta que dá autonomia a alguém. Sendo assim, ao apresentar um cenário cibernético que propicia novos meios de difusão cultural, a plataforma digital possibilita que os mais variados grupos sociais tenham acesso à informação. Dessa forma, do mesmo modo que a invenção da imprensa por Gutemberg ampliou a circulação de ideias no século XV, a web faz surgir, hoje, uma nova revolução na comunicação.

Além disso, a net, ao dar voz a todos os seus usuários, vem se transformando num meio de ativismo. Diante dessa perspectiva, há o discurso da ministra Cármen Lúcia que classifica a internet como uma nova Ágora, pois viabiliza a manifestação de todos e, logo, contribui para a manutenção da democracia. Isso ocorre porque com o uso dessas plataformas, que divulgam reivindicações e atingem um maior número de cidadãos, os protestos assumem, de fato, um caráter popular, como ocorreu na Primavera Árabe, de 2011, quando ditadores do Egito e da Tunísia foram derrubados a partir de movimentações nas redes sociais. Dessarte, a internet se impõe como um recurso que oficializa o poder do povo.

Por conseguinte, com o intuito de aumentar a coletivização da autonomia promovida pela internet, medidas hão de ser tomadas. Primeiramente, o Ministério da Educação deve incluir a informática como disciplina obrigatória na Base Nacional Comum Curricular, como está sendo proposto no projeto de lei 6885/2017. Isso seria possível por meio da parceria com escolas e ambientaria o jovem ao ciberespaço. Ademais, ONGs, a partir da cooperação com os meios midiáticos, precisam pressionar o Poder Público a respeito da necessidade de implantação de provedores de rede em regiões mais pobres, reforçando o Programa Internet Para Todos. Desse modo, ter-se-ia assegurado o acesso de qualquer pessoa a esse meio e garantir-se-ia a internet como fator de empoderamento social, como retratado em “Black Mirror”.