A capacidade da internet de empoderar o indivíduo

Enviada em 08/05/2021

A série norte-americana “Emily em Paris” narra o brilhante crescimento profissional da protagonista Emily ao introduzir, de modo autêntico, as inovações do mundo digital em uma grande empresa francesa. Analogamente, a internet adquiriu, sobretudo nos últimos anos, uma gigantesca capacidade de empoderar os indivíduos, seja na propagação de ideias, seja no maior ativismo na reivindicação de direitos e deveres. Entretanto, o acesso a esse recurso ainda não é democrático, corroborando a manutenção de desigualdades.

De início, cabe ressaltar que a internet surgiu como um protótipo, denominado “Arpanet”, durante o contexto da Guerra Fria, com o intuito de facilitar a veiculação de informações entre os órgãos de defesa estadunidenses. A partir disso e com os constantes avanços da tecnologia, a internet se revoluciona cada vez mais, abrangendo uma infinidade de esferas e possibilitando a formação de debates e de opiniões, a mobilização em larga escala a favor de uma causa e a difusão de ideais libertadores, por exemplo contra o machismo e o preconceito racial. Desse modo, essa ferramenta se tornou essencial para exercer o ativismo e o empoderamento dos cidadãos.

Outrossim, a Organização das Nações Unidas preceitua a internet como um direito humano que deve ser assegurado para toda a população. No entanto, observa-se que uma substancial parcela dos indivíduos ainda carece do acesso irrestrito a esse utensílio, como moradores de áreas remotas e famílias de baixa renda, fomentando a perpetuação do contraste social no que tange à garantia de recursos. Dessa forma, enquanto o princípio da democracia não for plenamente praticado, o direito se torna um privilégio.

Logo, cabe ao governo federal a elaboração de políticas e de diretrizes para efetivar o acesso universal das ferramentas tecnológicas, por meio da aprimoração do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações, instituindo redes gratuitas de internet nas zonas rurais, ribeirinhas e nas comunidades menos abastadas. Isso deve ser feito com o intuito de levar a realidade virtual e a inteligência artificial para todos os brasileiros e garantir seus direitos, tornando a população mais ativa e participativa. Somente assim, será possível assegurar que mais pessoas terão a mesma oportunidade que Emily na série.