A capacidade da internet de empoderar o indivíduo

Enviada em 06/06/2021

No documentário da Netflix “O dilema das redes”, nota-se como os algoritmos da internet adaptam-se ao indivíduo, trazendo para ele a sensação de controle sobre tudo. As redes sociais fazem com que as informações circulem cada vez mais rápidas, colocando em prática o fenômeno da globalização. No entanto, essa capacidade da “web” de empoderar, pode ser uma ameaça à privacidade do indivíduo, além de dar autonomia a pessoas ignorantes, o que leva ao aumento das “fake News” e de discursos de ódio, deixando evidente a problemática.

Primordialmente, seguindo o pensamento Marxista, este empoderamento é fruto das relações econômicas serem cada vez mais dinâmicas, e isso pode acarretar em um elevado consumismo, já que o marketing nas redes visa colocar o indivíduo como “centro”, induzindo-lhe a comprar cada vez mais, o que gera certo descontrole e consequentemente crises financeiras, desse modo, prejudicando o sujeito. Ademais, essa “promoção de poder” é ilusória, pois favorece a impessoalidade, característica temida por Max Weber na racionalidade burocrática.

Além disso, a internet pode empoderar todos, inclusive os ignorantes, favorecendo assim, a difusão de “fake News”, aumentando a desinformação e a alienação no cenário brasileiro, já que muitos compartilham “links” apenas por impulso, sem verificar a veracidade e a fonte das notícias. O número de discursos de ódio também cresce, já que grupos radicais também usufruem desse empoderamento, aumentando assim o preconceito, racismo e a quantidade de atentados, fatores que de forma independente já são uma grande problemática e com o impulso das redes, pioram ainda mais. Esses fatores reafirmam o pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman em “Modernidade Líquida”, que na internet todos se tornam “autores e autônomos”.

Depreende-se, portanto, que a capacidade da internet de empoderar, torna-se uma problemática, quando ameaça à privacidade do indivíduo, ou quando favorece a desinformação e discursos de ódio. Por isso, cabe ao governo contratar programadores capazes de produzirem algoritmos que identifiquem difusores de falsas informações e discursos extremistas, e excluam esses tipos de publicações, além disso o Poder Judiciário deve apresentar postura e punições rígidas contra essas problemáticas. Faz-se necessário também, investimento em educação, na luta contra a ignorância e no uso de mídias, como canais de televisão e as próprias redes sociais, orientando a população a como proteger sua privacidade e a um uso consciente da autonomia fornecida pela internet. Somente assim, poderemos superar esse impasse, usando a internet para construir uma sociedade melhor.