A contribuição da miscigenação para a identidade cultural brasileira
Enviada em 24/10/2025
O movimento artístico-musical da década de 60, a Tropicália, valorizava a mistura cultural do Brasil como símbolo de modernidade e autenticidade. Essa diversidade, resultado do encontro histórico entre africanos, indígenas e europeus, consolidou manifestações únicas como o samba, o carnaval e o sincretismo religioso. Porém, a valorização de algumas manifestações culturais ainda é um desafio no país, e apesar da miscigenação constituir o alicerce da identidade cultural brasileira, ainda é necessário que ocorra esse reconhecimento social.
No passado, o autor de Casa Grande e Senzala, Gilberto Freire, analisou a fusão entre as “raças” como elemento formador da sociedade brasileira. No entanto, o historiador acreditava no mito da “democracia racial”, para ele não havia preconceito na nossa sociedade devido a tamanha miscigenação. Posteriormente, o conceito foi refutado pelo antropólogo Florestan Fernandes, consciente de que até os dias atuais vivemos sob as mazelas do racismo estrutural.
Ademais, é notório que o contexto da colonização - apesar dos desafios ainda a serem superados - permitiu que a diversidade cultural proporcionasse uma maior criatividade nas artes, na música e na literatura, E dessa forma, contribuiu com a valorização nacional e internacional da nossa cultura e a formação de um conceito de brasilidade. Exemplo disso, é que antes mesmo da Tropicália explodir na década de 60, a cultura brasileira já havia feito sucesso anos atrás nos Estados Unidos e na Europa com o tropicalismo de Carmem Miranda.
Diante do exposto, para que o fator diversidade seja reconhecido como a base formadora da identidade cultural nacional, faz-se necessário que a sociedade civil se concientize das diferentes origens culturais (já citadas anteriormente no primeiro parágrafo) e se reconhecam como parte desse todo. E para promover auxiliar nessa tomada de consciência, é imprescindível que o Ministério da Cultura exerça papel de regulador de políticas públicas, promovendo, por meio das mídias, campanhas com objetivo de representar de forma positiva a pluralidade do povo brasileiro. Assim, será possível vivermos numa verdadeira “democracia cultural” e garantir a valorização plena das nossas manifestações culturais.