A contribuição da miscigenação para a identidade cultural brasileira

Enviada em 22/08/2024

O poeta modernista Oswald de Andrade celebra em “Manifesto Antropófago”, o multiculturalismo brasileiro -Uma denúncia à aculturação sofrida pela sociedade em resultado da segregação racial. Paralelamente, no Brasil atual, há a manu-tenção de tais práticas prejudiciais não só aos grupos étnicos, mas também aos demais povos tradicionais. Com efeito, atuam como desafios para a valorização da miscigenação na identidade cultural brasileira a educação inadequada e o estigma.

Diante desse cenário, observa-se a falta de promoção de um ensino eficiente que favoreça a formação de cidadãos conscientes da diversidade cultural. Desse modo, segundo o educador Paulo Freire, as escolas, ao invés de oferecerem um ensino humanizado que valorize as relações multiculturais, muitas vezes perpetuam ideias preconceituosas de segregação, um levantamento do IBGE revela que 43,1% da população é parda, indicando que quase metade da população brasileira é resultado da miscigenação. Sob esse viés, a ausência de ênfase na diversidade e na miscigenação no sistema educacional contribui para a perpetuação de preconceitos e a aculturação, em vez de promover a compreensão e integração entre diferentes grupos étnicos e culturais.

Ademais, uma das maiores problemáticas éticas e morais enfrentadas pela sociedade brasileira é a segregação racial. Historicamente, a hegemonia eurocêntrica foi enraizada no imaginário coletivo, influenciando profundamente as questões socioeconômicas e estruturais do país, de tal forma que essa influência contribui para a falta de equidade social e, consequentemente, limita a troca cultural entre os diferentes grupos da sociedade. Nesse sentido, o estigma presente na sociedade dificulta a integração e o intercâmbio cultural entre grupos étnicos diversos.

Em síntese de tudo apresentado, faz-se necessário ações de diversidade educacional e criminalização do estigma. Portanto, cabe ao Ministério da Educação (MEC), a inclusão de medidas mesclas das grades curriculares, e cabe ao (MJSP) o dever de punir rigorosamente os disseminadores racistas e xenofóbicos. Sob esse viés, haverá uma valorização social das diferenças miscigenadas e, consequente-mente da identidade cultural brasileira.