A contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias
Enviada em 13/06/2020
O filme Cinema Paradiso retrata magistralmente o efeito transformador da sétima arte na vida de um jovem. Para além da ficção, é notório como a arte melhora o senso crítico e toda a percepção da realidade em volta. Dessa forma, é vital que o contato com as diversas formas de expressões artísticas seja estimulado desde a infância do indivíduo, na escola. Não obstante, a educação brasileira parece ter tomado uma direção inversa, fora de sintonia com a maioria dos países desenvolvidos, onde educação e arte naturalmente se complementam.
Vale ressaltar que vários fatores históricos e sociais contribuíram para uma crescente negligência à arte como disciplina nas escolas, notadamente as crescentes mudanças no mundo do trabalho, a partir do final dos anos 60. Com o impulso da industrialização, o mercado passou a cobrar um ensino cada vez mais tecnicista, ficando as artes relegadas a segundo plano. Até mesmo o ensino superior sentiu isso, e as universidades, outrora redutos intelectuais de construção do pensamento e do saber, passaram a ser vistas (e cobradas) como um “trampolim” para o mercado de trabalho. Não havia mais tempo para as artes nas escolas em um mundo tão veloz e impessoal.
Todavia, a despeito dos tantos problemas do ensino público, ironicamente, este deu um passo à frente nesse quesito, trazendo o ensino das artes visuais, teatro, dança e música como conteúdo obrigatório da base curricular desde 2016, com o advento da Lei 13.278/16, sancionada pela então presidente Dilma Rousseff. É evidente que, por ser uma medida relativamente recente, não temos ainda como mensurar o impacto objetivo do dispositivo. Porém, é certo que brevemente veremos melhora significativa na qualidade do ensino, inclusive no rendimento dos alunos, visto que já é fartamente comprovado que a arte estimula outras variantes da nossa inteligência, notadamente no hemisfério esquerdo do cérebro, que são aplicáveis a qualquer outra disciplina.
Por outro lado, não basta que essas disciplinas figurem como obrigatórias se não existe ainda uma cultura de valorização das mesmas. Para tanto, deve o Ministério da Educação empreender ações que busquem a valorização desses profissionais, bem como cursos de aperfeiçoamento indo para além das meras formas de passar conteúdo, mas também busquem despertar no aluno a importância do contato com o mundo artístico. Em parceria com o Ministério da Cultura podem ser postas em prática iniciativas de convênio com museus, teatros e cinemas, de forma que se facilite o acesso aos estudantes na forma de descontos, vouchers e excursões patrocinadas pelas escolas. Desta forma, a contribuição de todas as manifestações artísticas restaria consolidada para esses jovens, não apenas formalmente na grade curricular, mas também na vida de cidadãos cada vez melhores.