A contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias
Enviada em 21/10/2020
O filósofo Emmanuel Kant afirmava que é no problema da educação que se assenta o segredo da humanidade. Nesse sentido, é notório que no Brasil os entraves no âmbito educacional se encontram no ensino excludente de disciplinas interativas, a exemplo do teatro e da dança, indo de encontro a um cenário problemático e maléfico para o progresso social, uma vez que tais conteúdos são preponderantes para o desenvolvimento ético e crítico dos indivíduos. Dessa forma, urge a necessidade de ampliação do acesso a essas ferramentas de ensino no âmbito escolar, para, assim, ser possível o aproveitamento pleno dos benefícios propiciados por elas.
Em primeiro plano, é preciso analisar que a prática de manifestações artísticas é indispensável para a construção de cidadãos respeitosos e tolerantes com as diferenças. Nesse ínterim, consoante ao escritor russo Liev Tolstói, em seu livro “O que é arte?”, a arte é uma ferramenta de comunhão entre as pessoas devido aos sentimentos compartilhados e disponibilizados por ela. Diante disso, a capacidade inclusiva inerente às artes possibilita a realização de construções em conjunto, como peças teatrais e danças, favorecendo a superação de preconceitos e limitações, a partir do diálogo entre pessoas com características e opiniões divergentes.
Ademais, o ensino escolar da arte como disciplina obrigatória é essencial para a formação da habilidade crítica dos discentes. Tal conjuntura advém da possibilidade intrínseca às artes na transmissão de reflexões sobre as contradições do mundo, a exemplo da obra “Os retirantes”, pintada pelo artista Cândido Portinari, que retrata as condições precárias de vida impostas sobre uma família de imigrantes nordestinos em 1944, acarretando a exposição de mazelas e a reflexão de seus efeitos na sociedade. Em síntese, a promoção da arte como matéria educacional fomenta o exame dos estudantes acerca da realidade que os cerca, contribuindo para a mobilização destes na busca por melhorias sociais.
Desse modo, é perceptível que a inclusão do ensino da arte no ambiente educacional é indispensável para a capacitação moral e crítica dos estudantes. Portanto, é imperativa a participação do Ministério da Educação, órgão responsável pelo desenvolvimento educacional do país, na criação e disseminação de projetos nas escolas, que abranjam o contato entre os alunos e manifestações artísticas, por meio da realização de feiras culturais periódicas e obrigatórias, além da inclusão de diversas expressões artísticas na teoria do material didático dos alunos, a fim de sancionar a absorção integral dos benefícios oriundos do estudo e prática da arte pelos acadêmicos. Consequentemente, o aperfeiçoamento da humanidade será viável, como teorizado por Kant.