A contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias
Enviada em 20/10/2020
De acordo com a dicotomia analisada pelo crítico literário Walter Benjamin, existe um aspecto que diferencia o - até então nomeado por ele- valor de culto e valor de exposição: a visão de lucro. Seguindo esse viés, a banalização da arte pela Indústria Cultural faz com que a sua importância na era da tecnologia seja alterada pela transformação de um caráter mágico para um caráter oculto. Logo, se a esfera pública não apreende que a contribuição das habilidades visuais como disciplinas obrigatórias (como dança, música e teatro) ultrapassa o âmbito econômico e transcende como um meio de expressão física e emocional, e, tampouco a sociedade compreende a importância dessa valorização, a problemática seguirá.
Em um primeiro momento, é possível perceber a inobservância governamental frente ao problema uma vez que não há investimento financeiro na estrutura da grade curricular. Sendo assim, a ausência da introdução de disciplinas ligadas à arte impede a unidade escolar de proporcionar aos jovens momentos de lazer, de modo que eles possam expressar seus pensamentos, emoções, críticas e até mesmo seus sonhos ou devaneios. Além disso, é válido ressaltar que o ambiente escolar deve atender os alunos como um todo, afinal, nem todos serão matemáticos ou historiadores.
Por outro lado, a sociedade elitista corrobora com invisibilidade da educação artística nas escolas ao passo que banaliza manifestações culturais como ofício. Dessa maneira, o senso implantando em sociedade dita que para obter sucesso e boa remuneração, o indivíduo deve optar por profissões renomadas, como medicina, engenharia ou direito. Com isso, a pressão familiar insiste que os jovens nas escolas devem aprender apenas as disciplinas básicas que os preparem para o vestibular, não dando importância ao apoio que a arte proporciona no desenvolvimento pessoal dos menores.
Fica evidente, portanto, que muitas são as contribuições que tais disciplinas proporcionam, e, para torná-las visíveis é preciso que medidas enérgicas sejam elaboradas. Desse modo, é dever do Estado, aliado ao Ministério da Cultura, investir financeiramente em profissionais capacitados, além de uma estrutura de qualidade nos centros educacionais a fim de aproximar o público alvo à música, teatro, pintura, entre outras manifestações culturais. Por fim, é preciso que haja rodas de conversas e palestras de punho educativos nas comunidades com o intuito de incentivar a população ao consumo, tal como a valorização da arte.