A contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias

Enviada em 16/10/2020

No filme “Nise: O Coração da Loucura”, biografia da psiquiatra brasileira Nise da Silveira, retrata-se a eficácia da expressão artística como amparo emocional, que, na obra, mostra-se tão necessário para os residentes do centro psiquiátrico. Assim, numa sociedade industrial, que valoriza cada vez mais a inserção do cidadão no mercado de trabalho em detrimento de sua essência, individualidade e emocionalidade, o contato com a arte é de extrema importância desde seus primeiros anos.

De acordo com o filósofo sul coreano Byung-chul Han, a sociedade contemporânea é marcada por uma epidemia de doenças neurais: a pressão pela produtividade acarreta exaustão psicológica, criando um indivíduo deprimido, que sente que está fracassando em seus poucos momentos ociosos, onde não está contribuindo para o funcionamento do sistema capitalista, seja pelo trabalho ou pelo estudo. Com isso, evidencia-se a necessidade da expressão e do consumo artístico para o lazer, sendo o meio mais apropriado para o tratamento do que o pensador coreano chama de “infarto da alma”.

Ademais, a população jovem, estando em uma fase da vida em que a formação da personalidade está em ênfase, é extremamente suscetível às influências do meio externo. Sendo assim, uma criança que teve contato pleno com a arte, aprendendo sobre sua importância na formação tanto cultural quanto pessoal, terá, no futuro, uma capacidade avançada de externalização e compreensão das emoções, o que é de suma importância para evitar o colapso psicológico causado pela incompreensão de si mesmo e de seus familiares e amigos.

Compreendendo que a arte possui importância tanto como lazer quanto como meio de expressão, infere-se, portanto, que o Ministério da Educação garanta sempre o ensino da história da arte, assim como o incentivo à programas extra-curriculares de teatro, dança, pintura e demais formas artísticas, visando a inserção de crianças e adolescentes no mundo da arte, seja para consumo ou produção, objetivando a criação de uma geração mais emocionalmente saudável, que compreenda que a finalidade da arte não seja apenas prática, mas também sensível e humana, qualidades estas que são esquecidas na sociedade industrial.