A contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias

Enviada em 16/10/2020

Em seu livro “Utopia”, o filósofo Thomas Morus descreve uma ilha imaginária, com uma sociedade ideal, tendo como objetivo o contraste com a realidade conflituosa de sua época. Hodiernamente, o conceito estabelecido pela obra literária é utilizado, não apenas, como ferramenta para criticas sociais, como também para a idealização de situações ideais. À vista disso, uma sociedade utópica certamente apresentaria a valorização à arte - no geral - em meio ao aprendizado. Dessa forma, cabe avaliar a necessidade de disciplinas artísticas obrigatórias como uma contribuição no Brasil.

É indubitável que a resistência para a implementação das disciplinas supracitadas impede o acréscimo de movimentações culturais. Apesar de previsto em lei a obrigatoriedade de disciplinas como artes visuais, dança, música e teatro, apenas uma das matérias se apresenta vigente no cotidiano escolar, segundo as Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Isto posto, a possibilidade de mudança social e produção cultural para jovens estudantes é escassa, visto que os mesmos poderiam aprender e contribuir artisticamente a partir do ensino básico. Deste modo, medidas que possam contribuir para este aprendizado são necessárias.

Faz-se mister, ainda, salientar o caráter transformador através da arte durante a formação do jovem. Segundo filósofo Immanuel Kant, o homem é produto de sua educação. Nesse contexto, uma educação não alicerçada a conceitos artísticos e culturais pode criar uma barreira entre o jovem e  sua perspectiva acerca do mundo. Diante disso, a necessidade desse ensino passa a se encontrar também na manutenção dos sentimentos do estudante, na criação de metas e na formação de um cidadão empático e engajado.

Dessa maneira, políticas são necessárias para a melhora do quadro. Cabe ao Ministério da Educação, portanto, a parceria com escolas para a implementação completa do proposto, além da criação de oficinas e gincanas artísticas, com professores de arte e alunos, por meio da elaboração de projetos escolares no meio artístico e rodas de conversa de forma semestral, a fim de proporcionar e contribuir com um futuro amplo para os alunos brasileiros neste meio. Com essas medidas, espera-se que a utopia descrita por Morus possa não apenas ser ferramenta de crítica, mas também auxiliadora na transformação do futuro.