A contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias
Enviada em 16/10/2020
“No meio do caminho tinha uma pedra”. Esse verso do poema homônimo de Carlos Drummond de Andrade pode ser associado a uma temática atual; já que, em meio a uma era de grandes avanços no Brasil, a desvalorização de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias funciona como uma “pedra” que dificulta o continuísmo do progresso brasileiro. Logo, faz-se necessário debater essa problemática, visto que essas disciplinas possuem diversas contribuições, a fim de minimizá-la.
Diante de tal cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que a Constituição de 1988, em seu artigo 6°, garante aos nativos direitos sociais, como educação e lazer. No entanto, o que se nota pois, na contemporaneidade, é a inoperância dessa garantia constitucional, haja vista a mínima expressividade desse Estado, ainda em vigor, no que tange ao ensino gratuito e obrigatório de disciplinas culturais nas escolas. Isso pode ser comprovado pela pequena parcela da população que segue carreira artística e alcança o sucesso profissional. Com isso, muitos jovens abandonam seus sonhos devido à falta de oportunidades. Tal contexto demonstra, por conseguinte, um quadro social caótico, o qual precisa ser combatido para a efetivação dos direitos constitucionais.
Além disso, é mister salientar que o individualismo é responsável por comprometer o compartilhamento desse conhecimento, como a música e o teatro, que podem abrir “portas” para os jovens, além de promover a expressividade e criatividade. Isso ocorre porque, conforme o escritor José Saramago propõe, em seu livro “Ensaios sobre a cegueira”, há uma cegueira “moral” presente na conduta de muitas pessoas, o que impede uma valorização de interesses benéficos à coletividade. Dessa forma, a mínima preocupação da sociedade no que se refere à contribuição das artes visuais, dança, música e teatro de forma gratuita é a principal causa desse problema. Não é de se estranhar, portanto, que a população carente possua um baixo acesso à essa aprendizagem.
Desse modo, percebe-se que o não aproveitamento dos benefícios concebidos pela educação artística e cultural é um imbróglio que necessita de mitigação. Assim, o governo, para fazer valer o artigo 6º da Carta Magna, deve realizar investimento no setor da educação e lazer, por intermédio de verbas recuperadas de operação contra a corrupção, como a “Postal Off”. Ademais, a mídia, com seu alto poder persuasivo, deve incentivar a população a compartilhar conhecimento, por meio de campanhas a serem divulgadas em diversos espaços, como rádio, televisão e redes sociais, com o objetivo de retirar a população da “cegueira moral” na qual ela se encontra. Assim, será possível remover as “pedras” drummondianas e assegurar o progresso da nação verde-amarela.