A contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias

Enviada em 20/10/2020

No período do Renascimento, no início da idade moderna, as evoluções científicas e culturais eram tratadas com a mesma importância e, de certa maneira, complementavam-se. Em contrapartida, no Brasil, a importância da arte ainda é contestada pela sociedade, e evidentemente, a contribuição das expressões artísticas nas escolas, como disciplina obrigatória, ainda não é devidamente reconhecida e o seu papel na educação ainda é desvalorizado, perdendo-se o seu potencial pedagógico.

Em 2016, foi sancionada dentro da “Lei de Diretrizes e Bases da Educação”, a obrigatoriedade das disciplinas de arte no currículo escolar. É indubitável que, a presença da dança, da música, do teatro e das artes visuais, nas escolas, proporciona aos alunos a interdisciplinaridade da sensibilidade artística, uma vez que, além de desenvolver a criatividade e de trabalhar as emoções dos alunos, as manifestações artísticas trazem, aos colégios, uma visão mais ampla e diversa sobre o mundo e a sociedade, o que o possibilita relacionar as matérias clássicas com alguma expressão artística, por intermédio de teatros sobre obras tradicionais e períodos históricos; da arte produzida em cada época — como as músicas e a arquitetura —; e da herança artística regional de cada povo, e com isso aproximar o aluno do conhecimento teórico-científico ministrado nas aulas, e até mesmo, aprofundar o aprendizado do mesmo.

Ademais, em 2018, a obra “Sobrevivendo no Inferno” dos Racionais MC’s, rappers da periferia de São Paulo, foi adicionada à lista de leituras obrigatórias do vestibular da UNICAMP, e ao ser inserida à coletânea, pautas sobre o sistema carcerário e a desigualdade social foram levantadas pelos alunos, o que promoveu a interculturalidade entre realidades distintas dentro da sociedade. É irrefutável que, uma produção cultural, por mais que seja um produto individual, está inserida em um contexto, e logo aborda — diretamente, ou indiretamente — o cotidiano social de uma comunidade. Portanto, quando a arte contemporânea e atual é introduzida nas grades curriculares, além de causar interação entre vivências diferentes e de desenvolver a boa convivência e respeito entre os estudantes, ela causa a identificação instantânea do aluno, ao se reconhecer dentro da realidade tratada na obra, colocando-o como parte da sociedade a partir da identificação, e trabalhando indiretamente a cidadania.

Isto posto, é incontestável que a contribuição das artes como disciplinas escolares é imprescindível. Por isso, cabe ao Ministério da Educação, em junção com os estados e municípios, a elaboração de um projeto de amplificação do ensino da arte nas escolas, com a finalidade de que ela interaja com outras matérias tradicionais; e de que obras atuais sejam abordadas, através de projetos extracurriculares semestrais e bimestrais, para que a arte, como na Era Renascentista, caminhe junto com a ciência.