A contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias
Enviada em 18/10/2020
No filme americano “Dançarina Imperfeita” a protagonista Quinn após outrora investir no estudo massivo das disciplinas tradicionais, se vê diante de um impasse para a entrada na universidade: a admissão prioritária de estudantes que apresentam repertório artístico. Todavia, para além da ficção, no Brasil, disciplinas como artes visuais, dança, música e teatro são raramente postas como prioridade na formação escolar. Esse tratamento acaba sendo errôneo, uma vez que estudantes deixam de se beneficiar com conhecimentos obtidos a partir das artes (fundamentais para a vivência em sociedade) e ficam restritos à uma educação conteudista que impede a extração de todo potencial presente no aluno, dificultando a aprendizagem.
Diante da desvalorização da arte, Aristóteles contesta tal concepção: para o filósofo, expressões artísticas possuem teor pedagógico, de modo a submeterem indiretamente o indivíduo à vivências de experiências similares as reais, permitindo a precoce interpretação para a tomada das melhores decisões. Assim, a escola, por possuir o objetivo de formar novos cidadãos, ao utilizar da música, do teatro e das artes visuais como disciplinas obrigatórias acaba contribuindo para uma formação mais completa, uma vez que explora e antecipa o contato dos estudantes com aspectos culturais e dilemas sociais profundamente ligados com a vida em sociedade.
Ademais, o uso de manifestações artísticas como base curricular possibilita, ainda, um maior desenvolvimento do estudante nas demais disciplinas propostas. Isso acontece, pois o contato com a arte promove uma maior abstração do pensamento, possuindo como consequência uma facilidade no entendimento e aplicação de determinados conceitos científicos. Essa ideia é explorada por pensadores renascentistas como Leonardo da Vinci que utilizava da pintura e do teatro como bases para o estudo da matemática, da biologia e da física, permitindo uma interdisciplinaridade que enriquecia o conhecimento produtivo acerca de todas as áreas exploradas.
Há de ser, portanto, vantajoso que o Ministério da Educação proponha, por meio de um projeto de lei a ser votado pelo poder legislativo, a obrigatoriedade de disciplinas artísticas não só para o ensino básico, mas também estendido ao ensino médio. Estas devem ser realizadas da modalidade do turno integral, também contido na nova lei, de modo interdisciplinar com as disciplinas tradicionais obrigatórias, a partir de uma reforma curricular instituída pelo mesmo Ministério. Dessa forma, os estudantes brasileiros possuirão uma formação que englobe aspectos importantes da vida social, além de terem o saber potencializado para as áreas mais variadas, formando, por conseguinte, profissionais e cidadãos mais completos e competentes que não viverão o impasse presenciado pela jovem Quinn.