A contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias

Enviada em 21/10/2020

Sêneca, pensador do Império Romano, acreditava que apenas as percepções das pessoas sobre o meio eram responsáveis por alterar o estado de tranquilidade mental da sociedade. Posto isso, contesta-se a notoriedade populacional diante da banalização do ensino e da valorização às artes. Com efeito, reestruturações governamentais e sociais são impostas como necessárias para que a contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias seja reconhecida.

Inicialmente, é válido ressaltar a concentração de renda vigente no Brasil, o que, de fato, afeta diretamente o modo de vida das pessoas, as quais dificilmente possuem privilégios para o exercício da arte. De acordo com uma pesquisa feita pelo “Data Senado”, cerca de 1% dos brasileiros detêm 30% da economia nacional. Desse modo, é possível constatar a estratificação presente nas relações sociais do país, as quais são envolvidas por pessoas em condição de miséria, como a exploração do trabalho infantil para o alcance da sobrevivência. A partir de tal cenário nota-se a complexidade que a legislação oculta quando cita tal dever artístico como direito de inserção ao currículo escolar, afinal, nem todos os estudantes estão disponíveis a se dedicarem à aprendizagem em tempo integral para inclusão de atividades não tradicionais, visto que não são aplicadas, por exemplo, a prática artística em vestibulares. Por isso, faz-se relevante a atuação do Estado para maior visibilidade à segregação, por intermédio de suporte alimentício e, possivelmente, remunerado àqueles que se dedicam.

Outrossim, é imprescindível mencionar a cultura moderna de negligência ao lazer, mas de valorização às áreas estritamente laborais e individuais. Segundo Zygmunt Bauman, filósofo polonês, a sociedade atual está envolvida por interações sociais rasas, isto é, são indivíduos que excluem a empatia e tornam excepcional o progresso pessoal, sobretudo, econômico. Afinal, o “status” no mundo capitalista é sinônimo de poder e, consequentemente, de valor. Infelizmente, os valores foram invertidos, sendo as posses vistas como essenciais. Então, com esse ideal, conclui-se que a arte, como a dança, é um hiato incontornável do tempo destinado ao desenvolvimento de tal fetichismo estamental, valorizado nas mídias por meio das próprias artes visuais, as quais estimulam o consumo interligado ao caráter, por exemplo.

Portanto, condutas são importantes para que a área artística tenha maior suporte cultural e, assim, ser exercida com maior proeminência na contribuição social positiva. Por conseguinte, o Governo Federal deve, por meio de uma reunião com os governadores estaduais, avaliar a atuação de, por exemplo, atividades cênicas nas instituições públicas, e visualizar, também, a adesão dos estudantes à causa em cada estado nacional, a fim de garantir a efetividade da teoria apresentada na Constituição. Por fim, o bom resultado progressivo nas relações harmônicas das regiões será notória.