A contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias

Enviada em 24/10/2020

Pode-se afirmar que o processo de democratização da arte no Brasil iniciou-se na Semana de Arte Moderna de 1922, pois os artistas integrantes do movimento romperam com as tradições da cultura clássica e erudita, o que a aproximou das camadas mais baixas da sociedade. Nesse viés, no ano de 2016, o Governo Federal instituiu que as manifestações artísticas, por exemplo: artes visuais, dança, música e teatro, serão  disciplinas obrigatórias nas escolas, ou seja, o país está cada vez mais próximo de concretizar o processo iniciado em 1922. Sendo assim, a obrigatoriedade de disciplinas relacionas à arte é benéfica para a sociedade, visto que ela contribuirá para a redução da desigualdade social no Brasil e despertará nos alunos o pensamento crítico.

A princípio, vale salientar que a inserção dessas disciplinas na grade curricular obrigatória é um importante passo para a democratização das artes no Brasil. Isso porque, de acordo com o álbum “Sobrevivendo no Inferno”, do grupo de rap Racionais Mc’s, as escolas nas periferias não são atrativas para os alunos, já que só elas não oferecem nenhum tipo de atividade extracurricular, enquanto, nos bairros elitizados, isso não ocorre. Nesse sentido, graças à lei de 2016, os jovens dessas comunidades terão a oportunidade de ingressarem em atividades artísticas, de modo a contrariar a realidade apresentada pelo obra dos Racionais. Logo, o estudante brasileiro, independentemente de sua classe social, entrará em contato com o mundo artístico durante sua formação escolar.

Ademais, o ensino da arte é vital em uma sociedade democrática na medida em que, conforme o filósofo Aristóteles afirmava: “A arte é a imitação da realidade”, isto é, as atividades artísticas promovem uma reflexão do indivíduo acerca do mundo. Sob tal perspectiva, a partir dessa análise mais profunda sobre as coisas, a pessoa chega ao que o filósofo Immanuel Kant chama de esclarecimento e, dessa forma, desenvolve o pensamento crítico. Nesse ínterim, como a arte é capaz de fazer com que o indivíduo se torne esclarecido, como postula Kant, seu ensino obrigatório nas escolas contribuirá não só para a formação de uma geração crítica, mas também fortalecerá a democracia brasileira com cidadãos que lutam por seus direitos.

Portanto, haja vista que a obrigatoriedade do ensino da arte contribuirá para a redução das desigualdades e formará indivíduos críticos, urge que o Governo Federal destine verbas para que essa lei seja cumprida. Esses investimentos podem ocorrer por meio da construção de oficinas artísticas em em escolas públicas com a parceria de empresas do ramo, como o “Cirque du Soleil”, as quais oferecerão aos alunos as diversas atividades artísticas supracitadas. Desse modo, o processo de democratização da arte no Brasil, iniciado em 1922, finalmente será concluído.