A contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias
Enviada em 31/10/2020
Em 1808, com a chegada da família real no Brasil, houve grande desenvolvimento da arte, haja vista a criação do Museu Nacional, Biblioteca Real e Escola Real de Artes. No entanto, há mais de dois séculos, o que se observa é uma desvalorização para a contribuição que a arte (seja ela visual, dança, música ou teatro) traz para a formação de uma cidadania integral. Diante disso, as linguagens artísticas são limitadas, ao serem oferecidas na educação dos estudantes brasileiros, em decorrência da inércia do Governo que atrofia tal disciplina.
Em primeira análise, é notório a exiguidade de políticas públicas no que tange à determinações claras e efetivas de como deve ser o ensino de Artes nas escolas, o que impossibilita que se forme cidadãos com senso crítico. Segundo o escritor francês André Malraux, a cultura, sob todas as formas de arte, capacitou o homem a ser menos escravizado. Desse modo, o não acesso pleno impossibilita o desenvolvimento da base do corpo social, a qual sem a experimentação e reflexão que a matéria propõe não terá visão de mundo ampla. Sendo assim, a passividade do Estado não colabora para a liberdade do indivíduo.
Por conseguinte, o que se vê são aulas rasas, sem interdisciplinaridade, e que não mostram a riqueza do conteúdo. De acordo com Ferreira Gullar, poeta e crítico de arte, a arte existe porque a vida não basta. Sob tal ótica, é indiscutível a necessidade da supracitada para um viver completo, visto a contribuição para a expressividade e percepção de quem a aprecia. Logo, urge maior esforço na preparação da grade curricular para que haja maior correlação entre as disciplinas.
´É imprescindível, portanto, que medidas sejam tomadas para solução do impasse. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação (MEC), por meio de Projeto de Lei entregue à Câmara dos Deputados e amplo debate entre sociedade e comunidade escolar, estabelecer um plano nacional de preparação e formação de professores da área, com diretrizes específicas, para que não se sintam sem roteiro determinado ao lecionar. Ademais, os governos estaduais devem, mediante as prefeituras, criar concursos artísticos, com exposições, jogos e vídeos produzidos por alunos de escolas públicas. Com isso, pretende-se que com a produção e experimentação gerem-se cidadãos interculturais, criativos, produtivos e que valorizem a arte assim como no século XIX, com a vinda da corte portuguesa para o País.