A contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias

Enviada em 30/10/2020

A produção cinematográfica “O Sorriso de Monalisa” narra a história de Katherine, uma jovem professora que, através do ensino da disciplina de Artes, promove debates conduzem as suas alunas à reflexão sobre o panorama da sociedade em que vivem, estimulando-as ao desenvolvimento de um senso crítico social. Em paralelo com o retratado na ficção, na conjuntura nacional corrente, o emprego da educação artística nas instituições escolares tem se tornado uma prática cada vez mais frequente e muito se tem discutido acerca da contribuição social dessa disciplina como um componente curricular obrigatório. Dessa forma, convém o emprego de uma análise criteriosa referente ao impasse.

A princípio, verifica-se que a inclusão das diversas modalidades artísticas como disciplinas obrigatórias contribui para a existência de um ensino integralizado e para a formação de um indivíduo multifacetado. A esse respeito, a educadora Ana Mae Barbosa - referência na arte-educação brasileira - pontua que a educação artística se configura como uma das mais eficientes ferramentas de modificação da realidade social de um país, na medida em que atua fomentando a gênese de um tecido social ativo e pensante. Nesse contexto, observa-se que o ensino das artes amplia a visão de mundo dos indivíduos, oferecendo-lhes os mecanismos que os tornam capazes de ler criticamente o ambiente em seu entorno e a autonomia necessária para apresentar soluções e respostas às suas insatisfações.

De outra parte, nota-se que a presença da instrução artística no ambiente escolar auxilia no processo de aprendizagem das disciplinas tradicionais e no desenvolvimento da inteligência racional. Sob essa óptica, o professor e pesquisador americano James Catterall - em seu estudo realizado por 25 anos e com mais de 88 mil alunos - salienta uma elevação nas notas de disciplinas tradicionais de cerca de 48% dos alunos entrevistados que possuíam a educação artística como matéria regular. Nesse sentido, é constatada a relevância do emprego das artes como uma componente curricular obrigatória, uma vez que ela otimiza e redefine o aprendizado das ciências tradicionais, empregando uma metodologia mais ativa e dinâmica e permitindo que os alunos adaptem e empreguem os conhecimentos adquiridos na escola nos mais diversos âmbitos de sua vida.

É evidente, portanto, a necessidade de políticas que visem a consolidação das artes como disciplinas obrigatórias. Destarte, cabe ao Estado, por meio do Ministério da Educação (MEC) a realização de cursos de capacitação que objetivem aperfeiçoar e orientar os educadores quanto a maneira mais eficiente de empregar a arte-educação no cotidiano escolar, preparando-os para a realização de uma abordagem baseada na interdisciplinaridade. Tais cursos seriam ofertados em todo o país e de modo totalmente virtual e gratuita para todos os pedagogos e professores da disciplina de educação artística.