A contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias

Enviada em 29/10/2020

Em 1914, em um encontro diplomático no Palácio presidencial, a primeira-dama cantou, tocando violão, uma música da Chiquinha Gonzaga, feita para dançar no ritmo de corta-jaca, dança tradicional brasileira. No jornal do dia seguinte, o então senador Ruy Barbosa fez crítica ácida à primeira-dama por apresentar, em meio à conferência de tanto renome, uma canção tão chula e representante das massas, parafraseando. Esse episódio é demonstração clara de duas coisas. Primeiro, da diversidade cultural brasileira e do consequente preconceito e elitismo, e segundo da importância das artes como parte da educação em um país em que a cultura é um dos pilares de nossa História. Assim, é essencial a contribuição das artes em geral como disciplinas obrigatórias no Brasil.

Em primeiro lugar, as artes são fundamentais para a formação cultural da sociedade. Aprender sobre e a como fazer arte traz um entendimento muito maior sobre o mundo. Uma obra não carrega consigo só a beleza, mas também um contexto da época em que foi feita, o que estava acontecendo e quais críticas e elogios foram apresentados. A obra de arte traz conteúdo histórico que nos faz entender de onde viemos e aonde estamos, culturalmente. Aprender a fazer arte é aprender a enxergar o mundo.

Junto disso vem a formação social. Todas as disciplinas artísticas ensinam o indivíduo a se expressar por um meio maior. Atuando, escrevendo, pintando e todas as outras formas são maneiras de aprimorar a expressão: se deixar sentir, compreender esse sentimento e o expressar de maneira clara, para que o outro também o compreenda. Isso é acentuado na medida que a arte é muitas vezes feita coletivamente e te obriga a entender como se expressar e como entender o que o outro expressa, e essa é uma ferramenta importantíssima em um espaço escolar que é intrinsecamente coletivo e como preparação para um mundo onde você precisa viver e interagir em sociedade. Aprender a fazer arte é aprender a viver em comunidade.

Não é menos importante a formação cognitiva que as disciplinas artísticas também trazem. Pesquisadores como Janes Catteral afirmam que a arte nos traz uma melhora na captação do nosso aprendizado e a enfrentar problemas de maneira racional. Aprender a fazer arte é aprender a aprender.

Em suma, a contribuição das artes como disciplinas obrigatórias no Brasil é quase imensurável. A arte ensina o que é a cultura da qual somos parte e como usá-la para entender o mundo, a se expressar e a entender o que os outros expressam e a ter uma melhor absorção de conhecimento em geral. Com a arte fazendo parte do currículo brasileiro, teremos uma geração menos como o Ruy Barbosa, que elitiza a cultura e a usa para reprimir, e mais como a primeira-dama, que fomenta seu entendimento e sua diversidade. Aprender a fazer arte é aprender a fazer um mundo melhor.