A contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias
Enviada em 01/11/2020
Durante o processo de formação da civilização ocidental, grandes nomes da literatura se destacaram: Hesíodo, Homero, Virgílio, etc. Dentre estes, a capacidade de moldar o imaginário cultural de seus respectivos momentos, através de narrativas épicas, assim como as chamadas tragédias e comédias gregas, que serviam sobretudo para a integração social da época, foi uma constante. Nesse sentido, com o desenvolvimento durante os séculos de novas formas de se expressar, além do advento da globalização e da internet, muito da produção artística da humanidade se tornou acessível a qualquer indivíduo do planeta. Não obstante, ainda se fazem presente na sociedade brasileira a segregação cultural e a falta de investimentos em meios de integração cultural pelo governo, cuja a ação poderia se manifestar com a obrigatoriedade de disciplinas escolares que abranjam as temáticas culturais relevantes.
É incontrovertível que parte do problema se molde na teoria da dialética histórica de Karl Marx e Friedrich Engels. Para estes, o sucedâneo de acontecimentos históricos, e por conseguinte do avanço histórico, se baseava eminentemente na dicotomia entre as classes burguesa e proletária; esta, muitas vezes esquecida e desvalorizada, se rebelava contra detentores do capital. Sob tal ótica, é evidente que aspectos culturais se manifestem de acordo com as diretrizes da classe dominante do momento, culminando muitas vezes na subjugação dos valores e costumes das sociedades periféricas. Como exemplos da problemática da segregação cultural, apreende-se o rap e o hiphop, além de manifestações artísticas de rua como o grafite, que apesar de alegrar as ruas cinzas das metrópoles brasileiras, ainda é tido como uma subcultura.
Outrossim, os parcos investimentos na manutenção dos meios de integração cultural, assume papel inexorável na situação. Sob este ponto de vista, assim como na época do humanismo, Gil Vicente –pioneiro nas artes cênicas– encantava sua plateia de reis e nobres com autos, farsas e poesia palaciana, famílias de baixa renda, cujo único auxílio se figura na imagem do estado, são privadas ao acesso da grandiosidade da cultura.
Logo, é evidente a existência de entraves na consolidação de medidas que transponham a barreira do problema. Parafraseando o patrono da educação brasileira, Paulo Freire: a educação muda o indivíduo e este, por conseguinte, mudará o mundo. Assim, cabe aos poderes Nacionais, exortarem a necessidade de manutenção da lei de obrigatoriedade das disciplinas culturais nas escolas, para que setores mais economicamente vulneráveis se favoreçam da cultura como um todo. Ademais, como prerrogativa constitucional, cabe ao cidadão protestar e reivindicar, sob tutela dos órgãos superiores de justiça e ONG’s, o seu invariável direito de livre manifestação, seja este por grafite ou músicas.