A contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias

Enviada em 01/11/2020

Na obra “Ensaio sobre a Cegueira”, do autor português José Saramago, é narrada a história de uma epidemia de cegueira branca, a qual se espalha por uma cidade e causa um grande colapso na vida das pessoas, fato que compromete as estruturas sociais. Atualmente, não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias, visto que a sociedade brasileira parece não enxergar os impasses que essa questão ainda sofre. Assim, seja pelo modo coletivo de pensar, seja pela influência social, esse tema está associado a uma grave questão social que precisa ser resolvida.

Em primeiro lugar, deve-se pontuar que o modo coletivo de pensar está entre as causas da problemática. Nesse sentido, conforme o trabalho do sociólogo francês Émile Durkheim, o fato social consiste em instrumentos sociais e culturais que determinam a maneira de refletir, agir e sentir na vida de um indivíduo, obrigando-o a adaptar-se às regras da sociedade. Sob essa égide, verifica-se que há, na atualidade, uma normalização do desinteresse pela arte de modo geral, isto é, uma parcela significativa da população considera normal tal atitude negligente, questão que, infelizmente, não apenas compromete o senso crítico populacional, mas também corrobora a permanência dessa conjuntura na contemporaneidade.

Além disso, a influência social também está relacionada a essa questão que persiste no Brasil . Nessa perspectiva, de acordo com John Locke, filósofo inglês, o ser humano é como uma “tabula rasa”, sem personalidade definida, sendo o meio responsável pela formação do caráter dos cidadãos. De maneira análoga a esse pensamento, nota-se a capacidade de dominância que o meio coletivo pode exercer sobre o gosto pelas artes, uma vez que os indivíduos — eventualmente persuadidos por familiares ou amigos — podem ter sua disposição artística deturpada— semelhantemente à metáfora de Locke — constituindo, assim, um entrave para a resolução desse problema.

Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário, portanto, que sejam tomadas ações para solucionar esse impasse. Posto isso, as mídias televisivas — como formadoras de opinião pública — devem veicular, em horário nobre, campanhas para sensibilizar a população quanto a importância da contribuição das artes, por meio de propagandas transmitidas nos canais de televisão aberta, com a finalidade de mitigar os efeitos negativos da questão abordada. Desse modo, o contexto vivenciado será gradativamente minimizado e se distanciará da realidade narrada por Saramago.