A contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias

Enviada em 20/09/2021

O Art. 205 da Constituição Federal de 1988 assegura acesso à educação como um direito social ao cidadão; consistindo uma responsabilidade compartilhada entre Estado e sociedade e majoritariamente voltada ao pleno desenvolvimento, exercício da cidadania e, por fim, preparando o indivíduo para o seu ofício. Tal premissa anula a visão utilitarista da educação, vigente nas últimas décadas do século XX, que objetiva seu uso concreto no mercado de trabalho. Nesse sentido, destaca-se a importância da arte em seus ciclos integrados como disciplina obrigatória na educação básica, valendo necessário que se invista em sua função de forma efetiva aspirando alcançar seus valores integralmente.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que o contexto histórico e a educação estão ligados de forma intrínseca. O progresso da globalização e a ascensão de recursos tecnológicos e digitais, transpuseram diferentes demandas da sociedade que exigem novas habilidades e saberes do cidadão. O sociólogo Edgar Morin no livro “Os sete saberes para a educação do futuro” destaca a imprescindibilidade do desenvolvimento de uma educação baseada em habilidades, contrapondo a educação conteudista influnciada pelo positivismo e o iluminismo no século XX, haja vista que, constantemente, novas necessidades emergem ao passo que transformações articulam-se.

Ademais, cabe mencionar que a arte em suas formas variadas de atuação - artes visuais, dança, música e teatro - tem como objetivo de aprendizagem a preparação de cidadãos para o futuro, desenvolvendo, além da inteligência racional, o lado afetivo e emocional, o trabalho em grupo e a criatividade, que serão aplicados posteriormente em diversos âmbitos sociais. O que possibilita ao indivíduo, flexibilizando suas percepções visuais, a capacidade de interpretar suas ideias através de diferentes linguagens. O psicólogo Jean Piaget estudou a psicologia do desenvolvimento psicossocial e concluiu que os elementos básicos do desenvolvimento cognitivo e psicossocial da criança depende da exposição a outras crianças e, por consequência, a visões díspares, o que se dá preeminentemente dentro da escola e as artes atuam diretamente aprimorando tal princípio.

Diante do exposto, conclui-se que são necessárias medidas que visam à maximizar as contribuições das artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias. Sendo assim, o Ministério da Educação deve, não apenas, promover em meio acadêmico projetos como saraus, exposições e feiras que estimulem a participação do aluno de maneira efetiva, mas acima de tudo, criar um plano de governo que leve de fato acessibilidade na execução dessas disciplinas nas escolas, garantindo seu desenvolvimento de forma acertiva e eficaz. Assim, garantindo uma educação contextualizada com vistas a formar cidadãos de acordo com os parâmetros estabelecidos no século XXI.