A contribuição de artes visuais, dança, música e teatro como disciplinas obrigatórias
Enviada em 20/10/2021
Desde a pré-história, período que antecede a invenção da escrita, já havia indícios de representações culturais e artísticas determinantes, a qual os povos da época registravam seus conhecimentos e seu cotidiano nas cavernas, por meio das pinturas rupestres. Entretanto, hodiernamente, as manifestações artísticas, bem como suas derivações- dança, música, teatro-, enfrentam graves empecilhos para a sua inserção como disciplinas obrigatórias nas escolas. Nesse contexto, cenário nefasto ocorre não só em razão da falta de políticas públicas que incentivem a contribuição da expressão da arte nos estudos tradicionais, mas também pela segregação socioespacial do mundo globalizado.
Deve-se pontuar, de início, o impacto da falta de medidas estatais na confluência da arte e do processo de aprendizagem nas escolas. Então, conforme o pensamento do filósofo Zygmunt Bauman, crítico da modernidade líquida, as instiuições governamentais- configuradas como zumbis- perderam suas funções sociais, todavia tentam mantê-la a todo custo. Dessa forma, definido como zumbis por Bauman, as ações e as políticas públicas acabam por falhar no que tange o desenvolvimento do sistema educacional, uma vez que o investimento em disciplinas voltadas para o aprimoramento intelectual, emocional e expressivo dos alunos são negligenciados e afastados dos projetos didáticos.
Ressalta-se, ademais, as consequências do fenômeno “apartheid cultural” na inserção da pluralidade artística nas instituições educativas. De acordo com o educador Paulo Freire, a educação é o caminho da liberdade e o despertar da criticidade, além de garantia autonomia e consciência social. No entanto, a disponibilização de recursos multiculturais- contribuinte no processo de formação da identidade do indíviduo- nas escolas, de forma democrática, dá espaço para os anseios da globalização nas regiões centrais em detrimento das periferias. Consequentemente, há a manutenção da escassez de recursos culturais e didáticos no ensino da musicalidade e das expressões artísticas e, também, na formação criativa dos estudantes.
Evidencia-se, portanto, a persistência de problemas estruturais na implatação da atividade cultural nos conteúdos programáticos escolares. Nesse âmbito, compete ao Ministério da Educação- órgão de maior autoria e influência- promover a disponibilização de disciplinas voltadas para a arte e cultura, por meio de investimentos públicos nas instituições educacionais, com o objetivo de aprimorar o aprendizado e estimular o desenvolvimento da inteligência racional e emocional. Além disso, deve democratizar e aprimorar o acesso à educação, por intermédio do melhoramento dos polos educacionais periféricos, com o intuito de incluir as pluralidades artísticas nas bases do ensino das regiões menos favorecidas e preparar a criticidade dos futuros cidadãos.