A contribuição do empreendedorismo para o desenvolvimento local
Enviada em 01/06/2021
De acordo com a Constituição Federal de 1988, os cidadãos possuem os direitos ao trabalho e a uma moradia digna. Contudo, mesmo com esse aparato legal, percebe-se que esses mecanismos são excluídos para uma parcela da população, principalmente a mais pobre. Dessa maneira, é importante analisar como o empreendedorismo contribui para combater essas problemáticas e para o desenvolvimento local, através de maiores oportunidades e investimentos para as comunidades.
A priori, é necessário destacar que o empreendedorismo colabora para o desenvolvimento local por meio da diminuição do desemprego, especialmente para a classe mais carente. Tal concepção baseia-se na tese exposta na obra “Os Sertões”, do escritor Euclides da Cunha, o qual afirma que existem dois “Brasis”: o litoral, marcado pelo crescimento socioeconômico, e o sertão, caracterizado pela falta de mecanismos básicos para a dignidade humana, como oportunidades profissionais. A partir dessa teoria, nota-se como essa disparidade social ainda persiste no país, uma vez que o “novo sertão”, as regiões periféricas, possuem seus direitos constitucionais negados, como o acesso a uma educação de qualidade que proporciona mais oportunidades de emprego. Com base nessa triste realidade, observa-se como o incentivo na formação de empreendimentos regionais para esses cidadãos, como auxílio financeiro e profissionalizante, torna-se uma forma de superar essa desigualdade dos dois “Brasis”, pois cria possibilidades de trabalho e crescimento econômico que permitam a melhor qualidade de vida.
Ademais, é válido ressaltar que o empreendedorismo , ao proporcionar mais alternativas para os indivíduos, contribui para o desenvolvimento dessas comunidades periféricas. Tal perspectiva está relacionada à teoria do sociólogo Karl Marx, o qual afirma que a infraestrutura dirige a superestrutura, ou seja, o grupo dominante interfere em diversos aspectos da sociedade, como a disponibilidade de serviços públicos. Nesse sentido, fica claro como essa tese reflete a atual conjuntura nacional, em que os investimentos governamentais e empresarias se concentram nas metrópoles, em detrimento da falta de mecanismos básicos para as regiões mais pobres. Dessa forma, percebe-se como a valorização do empreendedorismo é fundamental para esse grupo, já que possibilita o crescimento econômico regional e, assim, permite maiores incentivos na infraestrutura e na qualidade de vida dos cidadãos.
Logo, para que essa problemática seja solucionada, o Estado deve investir na formação de novos empreendimentos locais mediante parcerias com empresas nacionais, como instituições bancárias, que auxiliem financeiramente e assessorem na criação de planos comerciais. Ademais, o governo também precisa criar projetos gratuitos que ajudem na capacitação dos sujeitos, como cursos de administração e educação financeira, a fim de que a desigualdade dos dois “Brasis” seja superada.