A contribuição do empreendedorismo para o desenvolvimento local

Enviada em 31/05/2021

No filme Bacurau, do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, a população dessa cidade passa a agir de forma autônoma diante de consequências da ausência do Estado, como falta de água e segurança. Fora das telas, o mesmo acontece - principalmente- no campo econômico e social, fazendo com que o povo aja por si e para si. Portanto, incentivar o empreendedorismo social- aquele que o lucro é destinado à população daquela região- é bastante necessário para a efetivação da cidadania e movimentação da economia, contribuindo diretamente para o desenvolvimento local.

A princípio, o empreendedorismo para o desenvolvimento local faz com que a população participe de maneira mais ativa nas mudanças ocorridas na sociedade. Isso faz com que ela ponha em prática sua cidadania e traz, também, o sentimento de pertencimento. Nesse sentido, quando a autoridade administrativa não cumpre seu dever no contrato social, há uma necessidade maior de engajamento civil em serviços que beneficiem a comunidade, como alimentação, segurança, saúde e afins. Esse contrato, segundo o filósofo contratualista Thomas Hobbes, é um acordo não literal selado entre o povo -que abdica parte de sua liberdade- e o Estado -cujo dever é assegurar direitos- para uma convivência harmônica.

Além disso, esse tipo de empreendedorismo, cujo lucro beneficia majoritariamente a população local, movimenta a economia e, consequentemente, contribui para o desenvolvimento da região e em grande escala, do país. Como prova disso, de acordo com o site Época Negócios, esses pequenos empreendimentos contabilizam cerca de 27% do Produto Interno Bruto (PIB) da nação. Dessa forma, o aumento dessa prática financeira geraria mais empregos, principalmente, para as pessoas de classe mais baixa, que são diretamente afetadas com a ausência do Estado.

Incentivar, pois, o empreendedorismo como forma de estímulo para o desenvolvimento local é de extrema importância, pois é possível modificar todo um cenário sem depender somente do poder político que -nesse caso- negligencia seu dever. Então, cabe à sociedade civil cobrar do Estado, por meio de petições virtuais e/ou manifestações nas ruas, incentivo financeiro aos pequenos empreendedores, para que eles possam aprimorar seus negócios, gerar mais lucro e beneficiar mais pessoas. Somado a isso, cabe ao Governo Federal implantar nas instituições de ensino, públicas e privadas, programas que incentivem essa atividade e ensinem suas técnicas, por meio de feiras anuais nessas instituições, para a democratizaçãodo conhecimento sobre empreendedorismo. De modo que, o contrato social seja cumprido por ambas as partes e a realidade de Bacurau, mantida dentro das telas.