A contribuição do empreendedorismo para o desenvolvimento local

Enviada em 11/06/2021

Desde o surgimento da burguesia, ser dono dos meios de produção — conforme classifica o sociólogo Karl Marx — virou o objetivo de muitos, visto que o acúmulo monetário é capaz de assegurar uma boa vida e financiar o aprimoramento local. Para atingir tal fim, o empreendedorismo é a via utilizada por uma parcela significativa da população brasileira que, apesar de contribuir para o desenvolvimento regional, gera impactos irrisórios devido ao baixo rendimento mensal. Tem-se como propulsor dessa situação a falha do Estado em prover a ascensão econômica dos cidadãos, portanto, urge uma mudança na atuação de tal gestor.

Em um primeiro momento, é imperativo relacionar a decisão de empreender com a falta de um emprego formal. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística demonstra que a população classificada como empresária cresceu 25%, enquanto o desemprego aumentou 14%. Soma-se a isso, o fato de que a necessidade foi o motivo para 42% dos novos chefes surgirem, conforme um levantamento da Global Entrepreneurship Monitor. Desse modo, nota-se que no mercado de trabalho atual há mais patrão do que empregado, uma vez que a ausência de uma fonte de renda fez com que a população encontrasse no comércio um meio de subsistência.

Sob esse viés, empreendedorismo se torna um eufemismo para precariedade. Embora contribuam para a melhoria dos bairros — fomentando a circulação de dinheiro entre pequenos e médios lojistas, bem como a contratação de alguns funcionários — 70% dos donos faturam em média R$2.800 quando bem-sucedidos e 50% ganham até R$1.000 mensais, segundo o IBGE. Tais lucros se tornaram mais irrisórios com o aumento sucessivo da inflação, dado que isso representa a elevação generalizada das despesas básicas de uma família. Sendo assim, essa modalidade de trabalho, em sua grande maioria, não apresenta impactos financeiros consideráveis, seja de ordem pessoal ou coletiva.

Diante do exposto, conclui-se que a elevação da quantidade de empreendedores não produz, obrigatoriamente, um desenvolvimento do meio em que os mesmos estão inseridos, em virtude de o ínfimo dividendo permitir apenas a sobrevivência de seus investidores. Logo, cabe ao Governo Federal — por intermédio do capital público — investir em setores que melhoram historicamente os índices de desocupação, para haver o desenvolvimento de todo o país, tal qual desbravar os caminhos incertos do trabalho autônomo se torne uma opção e não mais uma necessidade. Com tal medida, as mudanças esperadas serão concebidas com êxito.