A contribuição do empreendedorismo para o desenvolvimento local

Enviada em 28/06/2021

De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a modernidade líquida é caracterizada pela insegurança e constante mudança no cenário social. No Brasil atual, a premissa se reflete no empreendedorismo como contribuidor para o desenvolvimento local por meio da geração de emprego e aumento da renda. Todavia, essa nova tendência não se consolida em razão da falta de incentivos governamentais e uma sociedade inconsciente.

Em primeiro plano, vale destacar a ideia de Aristóteles que afirmou que o objetivo principal da política é garantir a felicidade dos cidadãos. No entanto, percebe-se que essa tese do filósofo não se aplica à questão do incentivo ao empreendedor, porquanto o governo não apresenta políticas públicas facilitadoras para a geração de novos negócios. Em oposição, a realidade é o aumento de imposto e dificuldade ao crédito, refletindo a falência do incipiente e medo de investir. Assim, sem o comportamento do Poder Estatal em aplicar políticas públicas para ensejar o impasse, é notório que a lógica do bem-estar, da qual defende o pensador, não se materializa no país e, por isso, a resolução do cenário é praticamente utópica.

Ademais, cabe salientar que a frase de Sêneca que sanciona que “A educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida”, se relaciona fortemente com a questão. Isso, porque a falta de educação financeira no ensino leva a criação do estigma do medo frente ao ato de empreender. Com isso, tal área se torna um cenário distante e desconhecido de grande parte dos brasileiros, os quais mesmo em necessidade não se aventuram. Desse modo, é evidente que as instituições de ensino têm um papel fundamental na base da formação cidadã de cada indivíduo e no desenvolvimento da sociedade. Logo, nota-se que o declarar do sábio não é efetivado na sociedade hodierna e isso, de forma infeliz, mostra-se como uma das causas do problema.

O panorama geral que contribui para a não consolidação do empreendedorismo, portanto, reflete a necessidade de implementação de medidas. Em suma, faz-se necessário a atuação do Governo Federal em parceria com os bancos, na realização de linhas de créditos atrativas ao investidor, no intuito de incentivar e permitir o empreender para os menos abastardos. Outra iniciativa plausível é inserção de aula de finanças nas escolas pelo ministério da educação, a fim de elucidar o tema para os jovens, fornecendo novos caminhos para uma modernidade líquida.