A contribuição do empreendedorismo para o desenvolvimento local
Enviada em 10/07/2021
Adam Smith - expoente pensador do século XVIII - postulou, na obra “A Riqueza das Nações”, o conceito de Liberalismo, segundo o qual representaria o progresso da sociedade através da liberdade econômica, que é dotada de concorrência e de livre iniciativa. Tendo isso em vista, o pensamento liberal de Smith saiu da Europa e chegou na América, onde possibilitou, no Brasil, o surgimento do empreendedorismo. Com efeito, essa nova conquista contribuiu para o desenvolvimento local, uma vez que impulsionou o progresso econômico e os avanços sociais.
Diante desse cenário, Gilberto Freyre - autor da obra “Casa-Grande e Senzala” - descreve a gênese do Brasil, que, desde 1500, sofreu forte exploração de suas riquezas e, consequentemente, enraizou no pensamento da população a naturalização da escassez de recursos financeiros, já que todo o lucro era destinado à metrópole. Nesse viés, a realidade exposta por Freyre se mostra presente na contemporaneidade e se manifesta na dificuldade dos brasileiros em começar um negócio próprio, na medida em que é impossível abrir uma empresa quando o dinheiro, historicamente, nunca foi uma realidade. No entanto, o empreendedorismo, através da educação financeira, ensinou os cidadãos a gerir o capital e dar os primeiros passos a uma economia autônoma. Assim, enquanto a capacidade de empreender for a regra, a economia local, Brasil, nunca ficará nas sombras da economia mundial.
Ademais, o empreendedorismo contribui para a transformação social dos indivíduos. Sob esse aspecto, Waren Buffett - renomado investidor americano - afirma, na obra “A Bola de Neve”, que empreender está intrinsecamente relacionado com a inteligência emocional de pensar a longo prazo. Nessa ótica, infere-se que se o empreendedorismo cresce no Brasil, homens e mulheres começam a abandonar imediatismos e se dispõem a planejar um futuro. Ou seja, o ato de investir proporciona, até nas áreas mais remotas do país, um planejamento financeiro. Logo, no momento em que a ideologia de Buffet, a qual está entrelaçada com o pensamento de Adam Smith, estiver incorporada no cotidiano dos brasileiros, os problemas de administração de capital deixarão de existir.
Para que os avanços econômicos e o progresso social, portanto, aprimorem-se na sociedade brasileira, o Ministério da Educação deve exigir que todas as escolas - públicas e privadas - adicionem na grade curricular o ensino de Educação Financeira, por meio de projetos pedagógicos, como oficinas e minicursos, que estimulem os estudantes a adquirir o pensamento a longo prazo e que os incentivem a planejar o futuro. Essa iniciativa poderia se chamar “Casa-Grande sem Senzala” e teria a finalidade de utilizar as ferramentas do empreendedorismo para desenvolver as regiões nacionais, de sorte que a mentalidade colonial deixe de ser, em breve, uma realidade no Brasil.