A contribuição do empreendedorismo para o desenvolvimento local
Enviada em 22/09/2021
O romance filosófico “Utopia” - criado pelo escritor inglês Thomas Morus no século XVI - retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia mostra-se distante da realidade no tocante à contribuição do empreendedorismo para o desenvolvimento local, problema ainda a ser combatido no Brasil. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão da burocracia estatal, mas também devido à falta de conhecimento de grande parte da população sobre o assunto. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura com o intuito de reverter esse quadro.
Nessa linha de raciocínio, é primordial destacar que a burocracia não é executada de forma simples e eficiente no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), as empresas brasileiras gastam, em média, 2.000 horas por ano para vencer a burocracia tributária, sendo considerado o único país em que se gasta mais tempo calculando e pagando tributos do mundo. Com isso, é possível dizer que muitas pessoas desistem de abrir seus negócios por ser um processo extremamente lento e com muitas etapas, o que atrapalha a contribuição de grande parte da sociedade para o desenvolvimento do país. Destarte, fica evidente a falta de comprometimento e colaboração do governo com os empreendedores no Brasil.
Além disso, a falta de conhecimento de grande parte dos brasileiros sobre o assunto apresenta-se como outro desafio da problemática. Nesse viés, sob o ponto de vista do filósofo contratualista John Locke, todas as pessoas nascem sem conhecimento algum, e todo o processo do conhecer é aprendido por meio das informações e vivências. Dessa maneira, é evidente que a carência de debates sobre o empreendedorismo faz com que muitas pessoas abram uma empresa sem ter uma visão básica e necessária para entrar no mercado, o que diminui as chances dos negócios de terem um pleno funcionamento e, consequentemente, dificulta o desenvolvimento local.
Infere-se, portanto, a necessidade de mitigação dos entraves em prol da contribuição do empreendedorismo para o desenvolvimento do país. Assim, cabe ao Ministério Público, por meio de verbas governamentais, criar sites que auxiliem as pessoas a abrirem suas empresas, a fim de simplificar a relação do empreendedor com o governo e reduzir o tempo gasto com a burocacia. Ademais, é fundamental que o Ministério da Educação amplie o conhecimento da população sobre o assunto através de palestras ministradas por profissionais especializados na área econômica nas escolas, com o objetivo de formar cidadãos capacitados para empreender com consciência. Dessa forma, a “Utopia” de Morus na sociedade brasileira se concretizará.