A contribuição do empreendedorismo para o desenvolvimento local

Enviada em 02/10/2021

Em seu livro “Minha casa o mundo”, o professor e antropólogo brasileiro Carlos Rodrigues Brandão pontua que a educação modifica as pessoas e estas são agentes transformadores do mundo. No entanto, a distribuição de conhecimento, seja ele reflexivo ou empreendedor, é restrita e elitista, dificultando o nascimento e a manutenção de empresas fundamentais para desenvolvimento de uma população em determinada localidade.

Sob o prisma socioeconômico brasileiro, é possível inferir a discrepância salarial como obstáculo cruel imposto sobre uma enorme parcela da sociedade. De acordo com os dados divulgados em 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil está entre os dez países mais desiguais do mundo. Tal realidade afeta não somente o estilo de vida, mas também o tipo de educação que a população marginalizada recebe. Dessa forma, a possibilidade para criação de empreendimento se torna ínfima, retardando o progresso de determinada região.

Nesse sentido, percebe-se que o investimento inicial é praticamente inviável, o que afeta negativamente a fundação e gerenciamento dos negócios. Os espaços opacos - definidos pelo geógrafo Milton Santos como locais pouco desenvolvidos - são as principais vítimas da acentuada disparidade econômica-educacional. Por conseguinte, os indivíduos perdem o protagonismo na mudança da sua própria comunidade, haja vista que ele não possui o alicerce intelectual e capital necessário. Destarte, configura-se uma região muitas vezes deficiente e dependente de outros locais para suprir suas demandas.

Fica claro, portanto, a urgência para resolução de tal imbróglio. Para isso, o Tribunal de Contas da União (TCU), a fim de incentivar a abertura de microempresas que atuarão como protagonistas no desenvolvimento econômico de espaços opacos espalhados pelo país, deve conceder créditos e taxas mais baixas para pequenos empresários, por meio de uma avaliação rápida e eficiente em agências bancárias aliadas. Ademais, urge que o Ministério da Educação (MEC) inclua a educação financeira na grade escolar, com o fito de formar jovens adultos aptos a gerenciar suas próprias conquistas financeiras e empreender com segurança.