A contribuição do empreendedorismo para o desenvolvimento local
Enviada em 06/11/2021
Com o advento da Revolução Industrial e a ascensão da burguesia, a ideia de enriquecimento por meio do trabalho promoveu uma certa locomoção social em um contexto de rigidez hierárquica. Contudo, o que se observa na contemporaneidade é a permanência da concentração de riquezas e oportunidades nas mãos de poucos. Nesse contexto, o fomento à atividade empreendedora pode ajudar a reverter esse quadro de desigualdade, pois contribui tanto para o aumento de empregos quanto para uma melhor distribuição de investimentos entre as regiões, sendo, portanto, relevante o seu debate.
A priori, vale ressaltar que o empreendedorismo é a capacidade de identificar uma necessidade ou problemática na sociedade que careça de soluções. Nesse sentido, o desequilíbrio econômico, aprofundado pela pandemia do novo coronavírus, explicitou a importância do ato de empreender em um cenário de anomia financeira e de aumento recorde no número de desempregados, cerca de 14 milhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sob essa ótica, há uma relação direta entre a falta de oportunidade e o crescimento do empreendedorismo, na medida em que só no primeiro ano de pandemia mais de 2,6 milhões de brasileiros se tornaram microempreendedores individuais (MEI), conforme levantamento do Sebrae.
A posteriori, uma consequência direta do crescimento das microempresas é a desconcentração de investimentos, visto que, na medida em que a economia de uma região cresce, torna-se necessário melhorar a sua infraestrutura. Nesse ínterim, o economista Simon Parker afirma que o crescimento econômico e o empreendedorismo caminham em paralelo pois, uma vez que haja uma expansão monetária, os empreendedores tendem a investir mais, o que gera uma receita e trabalho para outras empresas. Sendo assim, o fortalecimento financeiro e a retenção de recursos no local, faz com que as cidades consigam elevar a qualidade de vida da população, o que contribui para o seu desenvolvimento.
Diante da importância do empreendedorismo para a promoção social, urge que o governo federal, por meio do Tribunal de Contas da União, direcione capital para a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, que deverá reverter a verba na ampliação de programas de capacitação profissional com o objetivo de formar potenciais empreendedores, por meio de cursos de educação financeira, marketing digital e administração, que deverão ser ofertados gratuitamente à população. Ademais, cabe ao Estado estreitar as relações entre os governos estaduais e municipais, para que sejam realizados planejamentos com o propósito de extrair de cada região o máximo de seu potencial produtivo. Dessa forma, espera-se expandir o número de empreendedores no país e assim, diminuir as discrepâncias econômicas entre as regiões.