A contribuição do empreendedorismo para o desenvolvimento local
Enviada em 20/11/2021
Segundo o economista austríaco Joseph Schumpeter, empreender é inovar ao ponto de criar condições para a transformação de um determinado setor, ramo ou território em que o empreendedor atua. Contudo, no século XXI, apesar do empreendedorismo permanecer relevante para o desenvolvimento local, é notório que os cidadãos brasileiros ainda encontram desafios para a realização dessa atividade. Dessa maneira, tal cenário é fruto tanto de uma educação deficiente quanto da competição com os produtos importados.
Primeiramente, o sistema educacional do país carece de projetos que incentivem habilidades como gestão financeira, inovação e criatividade. Todavia, consoante Paulo Freire, a educação deve ser vinculada ao cotidiano e visar à capacitação do aluno, a fim de que ele possa mudar realidade na qual está inserido. Dessa forma, as escolas nacionais oferecem uma educação incompleta à vida cotidiana, pois são deficientes no oferecimento de saberes voltados ao empreendedorismo, essencial para o desenvolvimento econômico do Brasil contemporâneo e para a ascensão social da população local. Consequentemente, conforme destacado pelo “Relatório Empreendedorismo no Brasil 2019”, do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), a desigualdade no acesso à educação gera desafios para a criação de iniciativas empreendedoras inovadoras, principalmente por parte da classe mais pobre.
Outrossim, a preferência por importados afeta a ascensão dos pequenos empreendedores na economia brasileira. Portanto, isso é notório desde o Brasil Império, uma vez que a dependência direta com relação às terras portuguesas deu espaço para uma mentalidade de consumo marcada pela idolatria dos produtos da Inglaterra e, posteriormente, dos EUA. Logo, o enaltecimento de artigos dos países desenvolvidos continua visível na contemporaneidade, dado que seu usufruto é associado ao luxo, ao contrário da compra de itens produzidos por negócios nacionais. Dessa maneira, são criados obstáculos à realização do empreendedorismo e, por conseguinte, ao desenvolvimento local, enquanto há o estabelecimento de uma contradição com o conceito proposto por Schumpeter.
Diante disso, para reduzir os desafios das práticas empreendedoras no Brasil, é necessário que o Ministério da Economia, em parceria com o MEC, crie o Plano de Incentivo ao Empreendedorismo, que, por meio da promoção de projetos nas escolas públicas brasileiras e de palestras que abordem a importância do consumo de artigos nacionais, irá não só melhorar a qualidade do ensino, como também diminuir a hegemonia das empresas estrangeiras no território. Tais projetos deverão simular a criação de negócios, a fim de estimular a criatividade e orientar a gestão de finanças. Em suma, por essas vias, o país ampliará o poder de transformação e inovação dos empreendimentos tupiniquins.