A contribuição dos avanços da medicina no tratamento de doenças
Enviada em 20/11/2020
“É impossível progredir sem mudanças. E aqueles que não mudam suas mentes, não podem mudar nada”. Dita pelo escritor inglês Bernard Shaw, essa frase adequa-se às transformações sociais decorrentes da evolução tecnológica. Nesse sentido, a área da saúde também foi atingida e a telemedicina tornou-se uma realidade, todavia com impasses. Assim, entre os fatores que contribuem para solidificar esse quadro destacam-se a infraestrutura deficitária, bem como a falta de dispositivos de legitimação.
Decerto, a virtualização da medicina busca democratizar o acesso aos atendimentos, porém a falta de recursos e de capacitação impede que isso ocorra. Sob tal ótica, o filme “Pantera Negra” -desenvolvido pelos Estúdios Marvel- aborda o reino de Wakanda em que a tecnologia é utilizada no tratamento de doenças, em outros lugares, impossíveis de serem curadas. No entanto, o contexto exposto pela trama é uma distopia social, uma vez que a inclusão tecnológica não é uma realidade brasileira. Desse modo, sem o preparo adequado, os profissionais da saúde são incapazes de utilizar as plataformas digitais e, com isso, os números de diagnósticos errados podem ser alarmantes.
Paralelo a isso, a legislação acerca da tecnologia usada na medicina não é eficaz e pode levar ao uso inapropriado da prática. De maneira análoga a esse cenário, o conceito de “anomia”, desenvolvido pelo filósofo Emile Durkheim, aborda que a ausência de regulação social pode perturbar a vida das pessoas, gerando caos e instabilidade. Por conseguinte, embora uma lei tenha aprovado o uso da telemedicina durante a pandemia do Covid-19, as regras éticas e legais para sua aplicação são insuficientes. Nesse viés, sem o aparato legal cabível, a prática da saúde usando plataformas fica inviável e os direitos constitucionais de bem-estar e de segurança são violados.
Destarte, frente a provectos fatores de capacitação e legislação vaga, o uso da telemedicina torna-se uma problemática hodierna. Portanto, o Ministério da Saúde, como instância máxima nos aspectos ligados à saúde brasileira, deve adotar estratégias no tocante à capacitação e à inclusão digital dos profissionais médicos. Essa ação pode ser feita por meio de simpósios e de cursos preparatórios que mostrem a maneira eficiente de fazer atendimentos virtuais, a fim de garantir um ambiente seguro e minimizar as chances de diagnóstico falho. Ademais, cabe ao Ministério da Justiça, juntamente com o Conselho Nacional de Medicina, desenvolver melhor os dispositivos legais em relação à medicina virtual, com o fito de regularizar as atividades nesse meio. Somente assim, cenários como de Wakanda serão possíveis na realidade.