A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 27/10/2025

Em outubro de 1988, o país conheceu a Constituição Cidadã, documento cujo con-teúdo garante inclusão, cidadania e dignidade humana, incluindo o direito de livre locomoção no território nacional. Entretanto, é perceptível a crise de mobilidade urbana no país. Nesse prisma, a precariedade dos investimentos públicos, atrelada ao contexto histórico da segunda metade do século XX, e o exagerado apelo midiático consumistase destacam como pilares para esta conjuntura negativa.

Sob esse viés analítico, evidencia-se a inobservância estatal como empecilho para a mobilidade. O filósofo inglês John Locke desenvolveu o conceito de Contrato So cial, a partir do qual os indivíduos deveriam confiar no Estado, que garantiria direi- tos inalienáveis à população. Entretanto, a crise observada evidencia que o Poder Público se mostra incapaz de cumprir o contrato de Locke, na medida que faltam investimentos e atenção na área, tornando-a desorganizada e sem qualidade. Ade- mais, vale resgatar o contexto histórico da segunda metade do século XX. O gover- no de Juscelino Kubitschek criou sólidas fundações de mobilidade urbana expan- dindo apenas a malha rodoviária nacional, ignorando projetos de amplificação por outros meios, como a malha ferroviária, á titulo de ilustração. Desse modo, o siste- ma rodoviário foi sobrecarregado, levando a deteriorização da qualidade. A negli- gência estatal junto ao peso histórico são fatores primordiais essa decadência.

Além disso, é notória a influência capitalista e midiática nesse contexto. Karl Marx relatou que o sistema capitalista incetiva a busca material como fonte de felicidade e sucesso, em sua teoria da alienação. Desse modo, muitos brasileiros se sentem fortemente influenciados pelas grandes propagandas a adquirirem automóveis ca- da vez mais novos, modernos e de elevado valor agregado, acreditando que assim, terão seu statuselevado. Logo, nota-se progressivamente, um maior número de carros nas ruas, sendo mais um fermento para a desordem urbana.

Conclui-se que o combate à crise da mobilidade se faz necessário.Assim,o Governo e Ministério dos Transportes devem alocar fundos para melhorias nos meios exis- entes e trabalhar em projetos para a exploração da malha ferroviárias e metroviá- ria, ampliando a oferta. Por fim, cabe aos veículos midiáticos, munidos de seu poder de influência, incentivar o uso dos mais diversos meios de locomoção.