A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 29/10/2019
As duas décadas finais do seculo XX, no Brasil, foram marcadas pelo avanço da industrialização, dentre os quais ganham notoriedade os meios de transporte urbanos. Nesse sentido, tal realidade promoveu a ampliação do acesso a veículos particulares . Por outro lado, a rápida urbanização brasileira não foi acompanhada do devido planejamento das cidades. Por consequência disso, o país apresenta uma crescente crise de mobilidade urbana. Dessa maneira, torna-se importante analisar os principais impactos dessa problemática: o aumento do tempo para se deslocar e da quantidade de acidentes nas cidades.
Em primeiro plano, é lícito postular que o direito de ir e vir é pertinente a todos os cidadãos do Brasil, e a crise na mobilidade urbana interfere no livre exercício dessa legislação. Nesse raciocínio, cabe citar como causa, o excesso da quantidade de pessoas que utilizam veículos particulares, responsáveis por constantes engarrafamentos nos centros urbanos. Além disso, é factual que o mal planejamento das cidades também afeta o deslocamento dentro dessas, assim como aponta uma pesquisa feita pelo instituto Lobo, que afirma que um em cada três moradores de capitais, como Salvador, julgam as vias rodoviárias como mal planejadas e desestruturadas. Como resultado, o tempo de locomoção dentro dos centros urbanos tende a aumentar.
Ademais, outro impacto decorrente da crise na mobilidade urbana é o aumento do numero de acidentes com veículos nas cidades. Isso fica evidente quando, com o crescimento dos engarrafamentos, diversas pessoas tentam buscar por alternativas de “cortar” o trânsito, e realizam manobras e ultrapassagens perigosas, principalmente os motoqueiros. Evidências disso, são as constantes notícias divulgadas pela Folha de São Paulo, que mostram que, em horários engarrafados, 80% dos acidentes de trânsito são ligados a ultrapassagens irregulares por motos.
Dito isso, fica evidente que para o bom funcionamento da sociedade a mobilidade urbana deve ser preservada. Dessa forma, assim como defendia o filósofo Thomas Hobbes, é dever dos estados garantir o cumprimento da legislação e o bem comum do povo. Sendo assim, é imprescindível ao poder administrativo garantir a valorização do transporte público em detrimento dos veículos particulares, usando de investimentos para promover qualidade e segurança. Outrossim, cabe também ao poder administrativo, também por meio de investimentos, fazer reformas que aumentem e organizem as rodovias internas das cidades. Dessa maneira, objetivando por diminuir o tempo de deslocamento e o número de acidentes dentro dos centros citadinos. Somente assim, a crise na mobilidade urbana deixará de ser uma realidade no Brasil.