A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 22/10/2021
Na primeira metade do século XX, o surgimento do Fordismo promoveu o desenvolvimento de linhas de montagem de automóveis em larga escala e isso tornou a compra de carros muito mais acessível para diversas camadas sociais. Entretanto, esse fenômeno também gerou uma crescente crise da mobilidade urbana, cujas consequências podem ser percebidas no cenário atual brasileiro. Assim sendo, essa problemática se deve não só ao desejo consumista de adquirir o próprio carro, mas também à falta de amparo do governo na infraestrutura do transporte público.
É imperioso ressaltar, primeiramente, que a sociedade de consumo atual, influenciada pelo desejo de provar o seu valor por meio das posses materiais, leva muitos indivíduos a comprar cada vez mais veículos. Nesse sentido, isso pode ser explicado pelo advento da Globalização do século XIX, cuja ideia central é o estimulo ao consumismo, quando faz com que os compradores se sintam superiores ao adquirir um produto tão desejado, como o automóvel. Todavia, isso tem gerado um grande problema, já que o aumento do número de carros que circulam nos grandes centros urbanos provoca dificuldades no trânsito e aumenta a chance de ocorrer acidentes. Desse modo, é necessário que medidas sejam tomadas para resolver essa questão, uma vez que ela coloca em risco o bem-estar de motoristas e pedestres no país.
Outrossim, vale salientar que se o governo garantisse uma maior infraestrutura do transporte coletivo, isso ajudaria a diminuir a crise da mobilidade urbana, visto que mais indivíduos optariam por usar esse meio de locomoção e não sentiriam necessidade de comprar um carro. Contudo, infelizmente o poder público tem deixado a desejar no cumprimento da sua obrigação para com a sociedade, tendo em vista que a Constituição Federal prevê como dever do Estado assegurar o transporte público de qualidade, de forma a atender dignamente as necessidades de deslocamento dos cidadãos, mas isso não ocorre de modo efetivo. Em suma, é inadmissível a continuidade dessa conduta imprudente por parte do governo, pois ela fere a cidadania da população brasileira.
Urge, portanto, a necessidade de ações que contibuam com a diminuição da compra de carros e assegurem o cumprimento do dever estatal no âmbito da mobilidade urbana. Para tanto, cabe ao Governo Federal implementar políticas socioeducativas nos locais públicos, por meio de campanhas que estimulem a população a usar o ônibus, ou comprar meios de transporte que tomem menos espaço, como as bicicletas, a fim de diminuir os problemas de trânsito. No entanto, para que isso seja possível, o governo deve, também, investir capital a fim melhorar o transporte coletivo, por meio do aprimoramento de ônibus e metrôs, com maior acessibilidade em diversas regiões do Brasil.