A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 26/10/2019
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas Hobbes, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Conquanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a mobilidade urbana brasileira está em uma crescente crise. Logo, esse cenário antagônico é fruto do crescimento espontâneo das cidades e perpetuado pela falta de investimentos nesse setor. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, com intuito do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é imperativo ressaltar que a falta de planejamento das cidades é o promotor do problema. A partir desse pressuposto, observa-se que nas urbes que nasceram e cresceram desprovidas de planeamento existe uma carência de espaço para a construção de ciclovias, como exemplo tem-se o município de São Paulo (SP). No entanto, com alguns estudos e aplicações, é possível contornar a situação e acabar com a perpetuação desse quadro deletério decorrente do crescimento natural das aglomerações urbanas.
Outrossim, é fulcral pontuar que a dificuldade para locomover-se pelo interior das urbes deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Acerca dessa lógica, segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, contudo, isso não ocorre no Brasil. Sob essa ótica, devida a falta de acometimento de capital para a construção de ciclovias, locomover-se nas cidades está mais difícil e impacta o meio ambiente. De acordo com o Instituto de Energia e Meio Ambiente, 72,6% da emissão dos gases causadores do efeito estufa em São Paulo são causados pelos automóveis. Portanto, a introdução de ciclovias nas cidades diminuiria a emissão desses gases e melhoraria o trânsito. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Destarte, a fim de mitigar a crise na mobilidade urbana, ocasionada pela falta de investimentos, necessita-se que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio das prefeituras, será revertido na instauração de ciclofaixas, por meio da construção ao lado das autoestradas. Ademais, por causa do crescimento desordenado das cidades, em algumas localidades, uma faixa por onde passam os carros será substituída por uma ciclovia. Após a construção, deve ocorrer um incentivo para as pessoas utilizarem as bicicletas. Assim, o meio ambiente não será impactado, a mobilidade urbana se tornará mais fácil e a coletividade alcançará a Utopia de More.