A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 26/10/2019

A urbanização, fruto da globalização e dos avanços tecnológicos, é um processo no qual modificou profundamente o cotidiano da população. É inegável que, com a chegada desse benefício, várias atividades dos brasileiros foram facilitadas, como a rapidez no deslocamento e interligação de vários pontos distintos das cidades e estados. Dessa forma, seria esperado que essas facilidades fossem melhor geridas e organizadas dentro do espaço de convívio urbano. No entanto, nota-se que há uma crescente crise na mobilidade urbana brasileira, ocasionada por desafios que o Estado e a população não estão sabendo administrar para que se tenha uma boa qualidade de vida.

A falta de alternativas de transporte para a população é um dos principais desafios enfrentados na atualidade. Isso ocorre porque o Governo brasileiro, desde o princípio da criação das redes de tráfego, investe quase sua totalidade de recursos, destinados a área de trasporte, apenas no modal rodoviário, deixando a desejar em outras opções de locomoção. Com isso, as empresas automobilísticas foram incentivadas à produção, cada vez mais, de seus produtos; o número de automóveis pessoais cresceu, irrefletidamente, e o trânsito hoje vive o maior caos da história do país. Segundo o site Portal de Trânsito o Brasil já obteve mais mortes no tráfego que a Guerra na Síria, sendo que mais de 200 mil pessoas foram vítimas por acidentes de motocicletas.

Por conseguinte, é comum observarmos diversas pessoas se endividando para a aquisição de um automóvel particular. Essa ideia está ligada seja para suprimir o status de se ter um veículo- deixado no país esse mal pelas políticas do governo de Juscelino Kubitschek- ou para suprir a falta de alternativas urbanas de movimentação, como calçadas emburacadas- dificultando o deslocamento de pessoas com necessidades especiais e idosos- curta faixa metroviária e ônibus coletivos com condições precárias e lotados. Esses são alguns exemplos das dificuldades enfrentadas pelos brasileiros em relação ao seu deslocamento cotidiano. Algo que se dá de maneira paralela é a normalização do fato em questão perante a sociedade, o que diminui o número de discussões e possíveis amenizações do problema. Isso é evidenciado pela filósofa fracesa Simone de Beauvoir ao afirmar que " o maior dos escândalos é que nos habituamos a eles “.

Urge, em linhas gerais, a tomada de medidas que mitiguem o problema. Em primeiro plano, o Governo Federal, juntamente com o Ministério do Transporte, deve investir em alternativas para escoamento do fluxo de pessoas que hoje superlotam a rede rodoviária. Isso é feito por meio da construção e ampliação das malhas ferroviárias, hidroviárias e cicloviárias. Além disso, campanhas devem ser feitas para que a população tenha consciência sobre uso e abuso do transporte particular.