A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 26/10/2019

Em verdade, a logística urbana brasileira tem enfrentado preocupantes entraves no que diz respeito ao atendimento das necessidades públicas. Não obstante a realização de reformas estruturais durante a época em que o país sediou Cúpulas e Olimpíadas, grandes metrópoles, como o Rio de Janeiro, ainda  falham em oferecer serviços de transporte eficientes em decorrência de reverses como o grave déficit populacional em centros urbanos e, por conseguinte, a deficiente visibilidade de regiões mais periféricas.

De acordo com estimativas nacionais, divulgadas pela BBC, um cidadão médio brasileiro gasta cerca de um terço do dia em trens, ônibus ou metrôs. O aspecto mais agravante dessa realidade é justamente o déficit habitacional em áreas mais nobres (próximas do centro). Tanto quanto é menor a ocupação dessas áreas, é aumentada a jornada de trabalhadores urbanos e estudantes, forçados a acordar mais cedo para garantir uma vaga no transporte e a chegada ao trabalho ou universidade no horário programado, além da exploração financeira de recorrer a vários trajetos, principal motivo das revoltas conta o aumento do valor de passagem de ônibus em 2013, ‘’não é só pelos 20 centavos’’.

Ademais, de acordo com um estudo da universidade de Oxford, as reformas realizadas no sistema de transportes brasileiro durante a Copa do Mundo de 2014 e as Paraolimpíadas beneficiaram apenas os mais ricos - principais residentes de bairros centrais. Infelizmente, assim como na questão do déficit habitacional, apenas os capazes de custear a vida em áreas mais urbanas são favorecidos, nesse caso, porque a concentração dos esforços do governo se voltaram a reparar os sistemas mais próximos às atrações ou mais atrativos ao turismo, ou seja, em regiões nobres, enquanto as regiões mais suburbanas e subalternas permanecem invisíveis às prioridades governamentais.

Desse modo, a não correção do imediata do problema da mobilidade urbana no brasil pode fadar o país a executar tarefas tão infrutíferas como a de Sísifo, da mitologia grega, castigado a empurrar sempre a mesma grande pedra ao topo da mesma montanha, apenas para vê-la cair e ter de começar novamente. Portanto, o Governo Federal deve fornecer verbas estaduais para que haja uma abordagem diferente: ao invés de favorecer os bairros centrais, os governos dos estados devem direcionar as obras às regiões mais periféricas e transformar a ultrapassada logística atual em uma nova malha funcional de transportes que alcance o maior número de pessoas com o melhor desempenho possível.