A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 23/11/2019
Há, no Brasil, uma forte cultura de utilização de carros individuais para a locomoção, que implica na grande disparidade entre o número de pessoas e de veículos — apenas entre 2002 e 2012, a população cresceu em torno de 12%, enquanto o número de automóveis, 136%. Em função disso, as vias dos grandes centros urbanos brasileiros ficam rotineiramente praticamente paradas durante horas com os engarrafamentos, em que, muitas vezes, há, nos carros, uma única pessoa. Assim, além das complicações ambientais acarretadas pela alta incidência de gases da combustão dos combustíveis fósseis, essa cultura implica diversos problemas econômicos e sociais.
Primeiramente, já no governo de Juscelino Kubitschek, o transporte rodoviário e a indústria automobilística foram priorizados e, assim, o incentivo aos veículos individuais ganhou força. Desde então, toda a mobilidade brasileira passou a ser fundamentada no “rodoviarismo”. Dessa forma, com péssima estrutura, sucateados, outros meios de transporte acabaram por ser desestimulados. Assim, mesmo que grande parte da população esteja disposta a passar a utilizar esses meios, os veículos públicos são lotados; grande parte das calçadas são estreitas, mal iluminadas, ou estão em péssimas condições; as ciclovias são, muitas vezes, mal distribuídas; enfim, há uma série de empecilhos que impedem essa transição. Sendo assim, os indivíduos, em geral, têm suas opções muito limitadas e ficam praticamente obrigados ao uso dos meios convencionais de locomoção.
Além disso, cabe ressaltar que, nas áreas urbanas há os chamados “horários de pico”, que correspondem ao início e ao término do horário de trabalho, em que ocorrem os maiores índices de aglomeração de veículos. Assim, com a estagnação das vias, trabalhadores comuns e profissionais podem perder horas em engarrafamentos, além da contenção de diversas cargas e da obstrução de caminho para ambulâncias e outros transportes emergenciais. Em meio a essa atmosfera crítica, as pessoas acumulam estresse e cansaço. Isso posto, torna-se evidente a propensão do ambiente a acidentes, que, segundo o Anuário Estatístico de Segurança Rodoviária de 2017, nesse ano, foram 95.000, sendo 52% por automóveis individuais, e, do total, 28% ocorreram no estado de São Paulo.
Portanto, a fim de amenizar a crise na mobilidade urbana brasileira e suas consequências, é dever do Ministério da Infraestrutura, em conjunto a instituições privadas e às prefeituras municipais, resgatar os meios alternativos de locomoção, por meio de investimentos mais pesados em obras hidroviárias, aeroviárias e ferroviárias, bem como em calçadões e ciclovias. Cabe às comunidades, junto às famílias e instituições escolares, desestimular o uso de carros individuais, expondo suas consequências, desvantagens e suas alternativas, por meio de palestras e de publicações nas redes sociais e mídia.