A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 26/10/2019
O Estado surge a partir da necessidade de assegurar e garantir os direitos naturais, como a liberdade e a igualdade, em seu modelo de gênese. Por conseguinte, fundamentando-se na filosofia lockeana e ao analisar os problemas em relação a mobilidade urbana que vêm se intensificando conforme os anos, é fato que a negligência governamental em função da busca de alternativas para garantir e facilitar a livre circulação das pessoas no ambiente urbano acarreta nos problemas locomotivos da contemporaneidade.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que o processo de urbanização, iniciado no início do século XX, teve como resultado o rápido crescimento das cidades, intensificando o processo de favelização no contexto urbano. Nesse ínterim, Milton Santos explicita que a vida na periferia consiste em profundo exílio, o que corrobora na precariedade urbanística e na restrita mobilidade de tal região. Em consequência, tais fatores intensificam a segregação socioespacial da população periférica e infringem a democracia de direitos.
Outrossim, o crescimento dos problemas com a mobilidade urbana fundamentam-se no decorrer da história brasileira. O modelo rodoviário proposto por Juscelino Kubistchek priorizou as estradas e facilitou o crédito automobilístico para a aquisição de transportes privados. Este neofordismo,aliado aos interesses político e economicos, tangenciaram os meios públicos de locomoção contribuindo para o inchaço urbano. Concomitantemente, o direcionamento de investimentos aos transportes públicos foram diminuidos, o que possibilitou hodiernamente a precariedade e a falta de meios públicos de locomoção.
Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de solucionar os problemas em função da mobilidade urbana contemporânea. Desse modo, cabe que o Ministério da Infraestrutura atue juntamente com arquitetos e urbanistas, na realização de projetos que visem um planejamento urbano eficaz, com enfoque na amplificação da malha dos transportes públicos, a fim de atenuar qualquer discrepância mobilística das cidades. Desse modo, o Estado lockeano poderá ser consolidado, uma vez que assegurará igualdade em relação a mobilidade a todos.