A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 27/10/2019
Em 1988, Ulysses Guimarães promulgou na Constituição da República que todos os cidadãos tinham direito ao transporte. Entretanto, após 30 anos, os brasileiros ainda não desfrutam - com excelência - desse direito previsto na Carta Magna e enfrentam uma crise na mobilidade. Esse cenário ocorre devido ao modal de transporte utilizado pelo Brasil e o culto ao carro que se formou na sociedade.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar que o modelo de transporte utilizado influencia a mobilidade. A esse respeito, em 1956, o presidente Juscelino Kubitschek investiu no desenvolvimento de um país rodoviarista para o crescimento nacional. Entretanto, essa política de JK impulsionou a indústria automobilística e os investimentos em transporte de carga através rodovias, o que corroborou para o inchaço urbano e uma desigualdade social. Portanto, enquanto o rodoviarismo se mantiver, a mobilidade inclusiva não ocorrerá.
Ademais, a sociedade de consumo enraizada no país favorece a imobilidade dos grandes centros. Nesse viés, o filósofo Theodor Adorno define o conceito de Indústria Cultural, segundo o qual é constituído pela constante veiculação de propagandas de forma persuasiva para os consumidores. Dessa forma, o número elevado de automóveis nas avenidas é o resultado dessa indústria citada por Adorno que convence os indivíduos de que os carros são vinculados ao status social e ao prestígio. Assim, não é razoável que essa prática consumista seja tratada com indiferença pela sociedade.
Fica claro, portanto, que para resolver a crise de mobilidade urbana, o Ministério da Infraestrutura deve elaborar projetos de construção de metrôs e trens - baseados em modelos de outros países - com a finalidade de diminuir as quantidades de carros nas pistas. Os indivíduos devem debater, através das mídias sociais, a grande influência da indústria cultural na sociedade a fim de reduzir o culto ao carro. Somente dessa forma, o direito ao transporte escrito na Constituição não ficará apenas na teoria.