A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 27/10/2019

Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, estamos vivendo em uma “bomba-relógio demográfica” na iminência de estourar. Essa reflexão faz suscitar o intenso colapso que várias cidades brasileiras vem sofrendo, principalmente no ramo dos transportes, os quais tem gerado diversos problemas para a sociedade. Diante disso, é primordial combater a crescente crise na mobilidade urbana no Brasil, tanto por ferir o indivíduo, quanto por maltratar o meio ambiente.

Em primeiro lugar, vale dizer que a diminuição do uso de transportes públicos é capaz de promover uma forte piora nas relações sociais. Sobre isso, o sociólogo Marshall Berman fala que a utilização demasiada de carros e motos individuais tem provocado o surgimento de pessoas mais solitárias e isoladas. De fato, é isso o que acontece, como afirmam diversos estudos que demonstram a - infeliz - relação entre a falta de convívio social com o aumento de doenças mentais, as quais são - evidentemente - colaboradas pelo aumento do uso de transportes individuais. Não há como negar, então, que a crise na mobilidade afeara veementemente as pessoas.

Em segundo lugar, é relevante falar que a elevada frota de veículos automotivos em detrimento ao uso dos sustentáveis, como a bicicleta, favorece o aumento do efeito estufa. Isso faz lembrar o que diz o sociólogo Edgar Morin, ao retratar que a ideia de desenvolvimento é geralmente cega diante das degradações que faz. Indo ao encontro dessa ideia, diversos levantamentos em revistas científicas tem confirmado que, lamentavelmente, vários poluentes expelidos pelos carros, como o dióxido de carbono, colaboram para o drástico aumento da temperatura média do planeta, de modo a alterar os ciclos naturais do ambiente. Uma conjuntura assim só gera desequilíbrios e aumento das crises.

Por fim, é imprescindível propor contra a problemática. Para tanto, as prefeituras - órgãos responsáveis pelo desenvolvimento urbano e social dos municípios brasileiros - devem incentivar a flexibilização e variação do uso de transportes por parte da população, a fim de frear a desordem na mobilidade e promover uma maior inclusão, com o acesso mais facilidade a serviços e equipamentos públicos. Isso pode ser feito por meio da modernização do espaço citadino, com a construção de ciclofaixas, aumento do tamanho das calçadas, e revitalização dos principais transportes públicos. Sabe-se que isso não extinguirá a problemática por completo, mas é um importante passo rumo a construção de uma comunidade mais profícua.