A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 28/10/2019

O plano desenvolvimentista proposto por Juscelino Kubitshek, que impulsionou a construção de rodovias e a instalação da indústria automobilística no país, ofereceu condições favoráveis para a expansão da política rodoviarista. Entretanto, o antigo gestor não previu as inúmeras consequências que o crescimento acelerado de automóveis no cenário brasileiro ocasionaria: sérios problemas na mobilidade urbana e prejuízos ao bem-estar social e econômico da nação.

Em primeiro lugar, é importante destacar além das causas históricas para a compreensão da problemática da locomoção citadina. A sociedade pós-moderna é em sua essência cada vez mais urbana e caótica, uma vez que as cidades não foram planejadas para suportar o grande fluxo de pessoas e veículos. No entanto, medidas para corrigir esse enorme contingente foram criadas, como: transportes públicos - ônibus e metrô - e transportes alternativos - bicicleta e deslocamento a pé. Porém, o sucateamento dos modais populares e a falta de segurança nas ruas e das estruturas para locomover fazem com que a população opte pelo transporte individual, acarretando em extensos congestionamentos nas vias.

Ademais, esse mesmo engarrafamento no trânsito é responsável por problemas ambientais, sociais e econômicos. Como resultado ecológico, pode-se afirmar que as longas horas de espera acentua a poluição atmosférica com a queima de combustíveis fósseis e a poluição sonora decorrente de buzinas e outros ruídos. No âmbito social, verifica-se que o estresse generalizado é causa de doenças  cardiovasculares, ansiedade e distúrbios no sono. Por fim, economicamente, evidencia-se perda de cargas como também trabalhadores atrasados e pouco produtivos decorrente do cansaço gerado. Logo, o incentivo à compra do carro próprio apresentado por JK gerou um ciclo vicioso entre os brasileiros que não se vem sem locomoção individual, além da falta de investimentos no transporte coletivo.

Urge, portanto, medidas que atenuem esse quadro desastroso da mobilidade nacional. Assim, é necessário que os gestores de cada município façam um levantamento das principais causas que acarretam o tráfego desordenado por meio análises criteriosas realizadas por engenheiros - especializados na malha urbana - a fim de reverter os principais desafios enfrentados. Logo, possíveis soluções seriam: ampliação das frotas e rotas dos ônibus, iluminação adequada e passeios em boas condições, ampliação de ciclovias, além de políticas de rotatividade no trânsito. Outrossim, cabe as ong’s à promoção do ideário de carona solidária com o intuito de diminuir o número de carros nas ruas. Dessa forma, será possível existir uma locomoção de qualidade.